O curitibano ''Estômago'' (112 min.), que acaba de estrear nas telonas da Capital paranaense depois de uma volta gigante pelos eventos de cinema mundo afora, é um filme de uma anedota só. Em parte, não há nenhum demérito: a anedota é boa e chama a atenção do espectador. Por outro lado, o uso de apenas uma idéia, se levarmos em conta todas as possibilidades de um longa, pode parecer um tanto frágil.
Do diretor Marcos Jorge, ''Estômago'' é uma espécie de fábula sobre o poder da culinária. Raimundo (interpretado por João Miguel), um homem sem estudos, é um talento nato na cozinha. E, por conta da tal habilidade, torna-se, de certa forma, um sujeito poderoso entre seus pares. O mote é de fato interessante, mas a sequência de piadas sobre o tema, ainda que sempre divertidas, são essencialmente iguais. Trata-se de um filme de uma piada só.
Outro ponto negativo é a construção precária do personagem de Carlo Briani (o dono de restaurante Giovanni). Presente em boa parte das cenas, a atuação do ator chega a incomodar. Na contramão, os trabalhos do ator baiano João Miguel e da atriz paranaense estreante nas telonas Fabíula Nascimento (que interpreta a prostituta Íria) são expressivos.
João Miguel já é rosto conhecido, e simpático, nas telonas. Ele atuou em pelo menos três excelentes filmes das últimas safras, ''Cinema, Aspirinas e Urubus'' (2005), ''O Céu de Suely'' (2006) e ''Cidade Baixa'' (2005), com destaque para o primeiro longa, no qual é um dos protagonistas.
Tanto em ''Cinema, Aspirinas e Urubus'' quanto em ''Estômago'', João Miguel faz um tipo bastante peculiar: um sujeito simples, ignorante, mas esperto e cativante ao extremo. A fórmula de João Miguel continua simpática ao público. O problema é que se arrisca a virar samba de uma nota só, a exemplo do filme de Marcos Jorge.

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