NAS TELONAS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Rafael Urban<br> Equipe da Folha 
''Pega nos culhões dele!'', berra o personagem de Dercy Gonçalves em ''Nossa vida não cabe num Opala''. No filme, que já passou por Londrina e está em cartaz no Cine Luz, em Curitiba, Monk (Leonardo Medeiros) gosta de jazz tal como o músico que lhe dá o nome. É filho do falecido ladrão de carros Oswaldão (Paulo César Pereio), que anda fazendo as suas aparições para os quatro filhos.
O fantasma do pai, tal como a comunidade, não parece fazer qualquer esforço para evitar o desfecho inevitavelmente trágico da família disfuncional, que assiste, inerte, ao seu próprio destino. Além de Monk, há Lupa (Milhen Cortaz, de ''Tropa de Elite''), parceiro de roubos e fã de música romântica; Slide, jovem, fã de rap e hip-hop e assaltante frustrado; e Magali, amante de música erudita que toca teclado em um restaurante.
O personagem de Cortaz, caricato à ''Zorra Total'', destoa do restante do elenco, mas acaba por encontrar seu caminho na reta final do filme. Os diálogos, bem-humorados, parecem um esforço para segurar a fragilidade da narrativa, baseada em texto do dramaturgo londrinense Mário Bortolotto, que, depois de divergências com o roteirista Di Moretti, afastou-se da versão final. Em seu blog, ele escreveu: ''Quem conhece a peça e comparar com o filme, vai poder sacar o disparate que é quando a adaptação mantém o meu diálogo e quando o roteirista acrescenta falas de sua lavra''.
''Nossa vida não cabe num Opala'' é o primeiro longa de Reinaldo Pinheiro, diretor do curta ''BMW Vermelho'' (2000), que pode ser assistido na internet. A trilha sonora inclui músicas de bandas paranaenses como a curitibana OAEOZ.


