NAS TELONAS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Rafael Urban<br> Equipe da Folha 
O mais peculiar de ''Castelar e Nelson Dantas no País do Generais'' é que o diretor do filme em cartaz no Cineplex Batel, em Curitiba, é um dos próprios protagonistas. Não se trata de uma ficção, mas de um documentário que enfoca o cinema mineiro dos anos de Ditadura Militar de Alberto Graça, Andrea Tonacci, Joaquim Pedro de Andrade, Schubert Magalhães e, justamente, Carlos Prates. O filme brinca com os moldes de documentarismo: os narradores (quatro) logo aparecem em cena e discursam, assumem falas de críticos, elogiam e representam, como se estivessem sobre um palco ou contracenando com os inúmeros trechos citados.
A montagem, inteligente, dialoga com os filmes da época, que mostram um cinema peculiar, plural e relativamente pouco conhecido. Ao falar do lendário ''Bang-bang'' (1971), de Tonacci, a narradora elogia o seu modo de filmar carros, para apenas mais tarde revelar que a fala elogiosa pertencia ao crítico Paulo Emílio Salles Gomes. Os trechos dos trabalhos são mostrados com uma edição que lembra videoclipe: os antigos filmes parecem ganhar uma nova cara enquanto são acompanhados por músicas contemporâneas. Ao fim, cansa, pelo quase excesso e duração das citações. Filmes que, de outro modo, dificilmente seriam vistos. ''Bang-bang'', por exemplo, não está nas locadoras, mas disponível através da Programadora Brasil e em programas de troca de arquivos na Internet.
Recheado de bom humor, o longa-metragem não é apenas um registro pouco usual do período. Se, por sua força, estética e política, o Cinema Novo marcou época, ''Castelar e Nelson Dantas no País dos Generais'' é um contraponto, um lembrete de que existiu vida inteligente para além de Glauber Rocha e Cia. E mostra que, mesmo dentro de um espaço físico definido (o Estado das Minas Gerais), em um período de tempo específico (a Ditadura Militar), os diferentes estilos e a pluralidade dos trabalhos são evidentes.


