''Os Desafinados'', em cartaz no Cineplex Batel, em Curitiba, começa junto com o espetáculo que apresentaria a bossa nova ao mundo, em dezembro de 1962. Ainda que o quarteto de músicos que dá nome ao filme não consiga participar do show histórico, o grupo não desiste da ida à Nova Iorque e toca na rua, em frente ao Carnegie Hall, no mesmo dia em que João Gilberto, Tom Jobim e cia. dão o seu recado do lado de dentro do auditório.
O filme do experiente Walter Lima Jr., que gravou seu primeiro longa, ''Menino do Engenho'' há 43 anos, traz a história do quarteto que, em Nova Iorque, conhece Glória (Cláudia Abreu), a voz que faltava e que introduz um novo conflito na narrativa. Quin (Rodrigo Santoro), desta vez falando um inglês propositadamente macarrônico, vê-se apaixonado pela nova musa do grupo. Porém, ele deixou grávida, no Brasil, a sua esposa Luiza (Alessandra Negrini).
Ainda que boa parte da força do longa resista na afinidade entre os protagonistas - entre eles, o impagável Selton Mello, em uma interpretação chavão mas divertidíssima -, o grande destaque fica para a ala feminina. Alessandra Negrini e Cláudia Abreu, cujas personagens disputam o mesmo homem, apresentam performances sólidas e de presença marcante. O único estranhamento fica para as cenas em que esta última canta, e nas quais a dublagem soa artificial - a bela voz é da desconhecida Branca Lima, filha do diretor.
A música, por fim, é mais um ponto alto: as aulas que os atores fizeram durante as filmagens ajudam a trazer um ar suave enquanto tocam, ainda que não se sustente por todo o longa. A boa bilheteria, cerca de 200 mil espectadores no Brasil, aponta para um dos maiores méritos do trabalho. ''Os Desafinados'' não é um filme de arte querendo dialogar com o grande público, tampouco um longa de cunho comercial buscando ser transgressor na linguagem. É, ao assumir-se um filme médio, acima da média.

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