NAS TELONAS
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Rafael Urban<br> Equipe da Folha 
''Chega de Saudade'', o novo filme de Laís Bodanzky, a diretora de ''Bicho de Sete Cabeças'' (2001), demorou tanto para estrear no Paraná que acabou sendo lançado no Estado no mesmo mês em que chega às locadoras. Em cartaz em quatro salas em Curitiba, o longa-metragem, porém, vale a espera.
A partir do momento em que entramos no clube, em que acontece um baile da terceira idade, onde se passa praticamente toda a ação do filme, de lá não saímos mais. Graças a um trabalho primoroso de Walter Carvalho - também responsável pela direção de fotografia de ''O céu de Suely'' (2006) entre outros filmes -, a aura contagiante da festa mantém o espectador absolutamente envolto.
A edição, bastante marcada pela música, auxilia de modo fluído neste processo. No palco, uma banda puxada pela voz da incansável Elza Soares, 71 anos, dá o tom ao filme. Ali, na presença marcante da cantora, está centrada a proposta do roteiro. Para Elza, a idade chegou, mas ela de modo algum respeita esse limite imposto pela tempo. Do mesmo modo, os personagens, de um elenco marcadamente eficiente, travam suas disputas pessoais com a passagem do tempo.
''Então é melhor deitar no caixão e esperar a morte chegar, é isso?'', questiona um dos personagens. Os conflitos, porém, não nascem apenas na idade avançada. Ao compasso em que acompanhamos Alice (Tônia Carreiro) ver seu grande amor Álvaro (Leonardo Villar) se afundar no whisky, sofrendo por não ter mais condições de dançar como outrora, os jovens também vivem seus momentos de angústia. Marquinhos (Paulo Vilhena) é o responsável pelo som do baile e não consegue aceitar que sua namorada Bel (Maria Flor) esteja dando bola para o velho Eudes (Stepan Nercessian).
A disputa é eminente e envolve o ciúmes de Marici (Cássia Kiss), por sua vez apaixonada pelo senhor que dança com a menina. O filme deixa para o seu final o momento para aproveitar de todo o talento da atriz. A idade chega e com ela vêm outros conflitos, próximos ou distantes dos da juventude. ''Chega de Saudade'' apresenta o quão humano é cada um deles.


