Entre as muitas curiosidades contadas pelo filme ''1958 - O Ano em Que o Mundo Descobriu o Brasil'', em cartaz no Cineplex Batel, em Curitiba, está o fato de que, perdido o sorteio na final da Copa da Suécia, a seleção brasileira teve de ceder aos donos da casa o direito de vestir a amarelinha. E, às pressas, costurar os distintivos da então Confederação Brasileira de Desportos (CBD) nas camisetas azuis compradas de última hora em uma loja qualquer.
O grande mérito do documentário de José Carlos Asbeg, orçado em R$ 1,6 milhão, é contar a história da primeira copa conquistada pelo País não apenas pelo depoimento dos jogadores e da comissão técnica brasileira, mas em entrevistas com membros de todos os times que o Brasil enfrentou. Em um dos momentos hilários, um dos suecos derrotados na final sugere que o único jeito de parar Garrincha seria distribuir armas de fogo entre os jogadores e apontá-las simultaneamente para o brasileiro. A parte interessante do filme, porém, acaba aí.
Ao optar por reconstruir trechos, que são inseridos entre as imagens de época, como um detalhe dos pés de Didi ao chutar no estilo ''folha seca'', o filme cria o que, por momentos, chega a ser constrangedor - caso das cenas em que Nelson Rodrigues, aqui não como dramaturgo, mas cronista esportivo, é revivido à meia-luz, uma máquina de escrever e um cigarro. O tom ufanista que o longa-metragem assume, especialmente em seu final, traz à tona a idéia de que a solução do País está no futebol e revela a pobreza ideológica do filme.
O filme ganha quando se considera sua importância histórica, as imagens de época e os depoimentos, a exemplo do russo contando que, após a derrota contra o Brasil na fase de grupos, um colega atirou a chuteira longe e disse ''desisto, futebol é o que eles jogam''. Sua estrutura, de usar a partida final contra a Suécia como mote narrativo, parece uma boa idéia. Mas a capacidade limitada enquanto cinema naufraga todas as possíveis boas intenções.

SERVIÇO
- Mais informações no site www.copa58.com.br

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