''Você vai pagar duzentos paus para lavar os meus pés?'', questiona a prostituta ao personagem de Leonardo Medeiros no longa-metragem ''5 Frações de uma Quase História''. Atualmente em cartaz no Cineplex Batel, em Curitiba, o filme tem em seu roteiro uma divisão absoluta em cinco trechos, dirigidos por seis diretores mineiros. O ponto de ligação entre as histórias existe, ainda que seja, na maioria dos casos, bastante sutil. Exigir uma conectividade mais forte, porém, seria pedir que todos os filmes de ''multi-plot'' fossem iguais.
O fato de os seis diretores serem homens, tal como o roteirista, chega com peso. Mesmo quando retrata o universo feminino - no último dos trechos, a personagem aponta a arma para um sujeito que quer a levar para cama e o obriga a dizer sim ao seu pedido de casamento - o filme caracteriza-se por um olhar absolutamente masculino.
Jece Valadão, em um de seus últimos trabalhos no cinema, faz um juiz corrupto que acredita ter matado uma prostituta. Medeiros, destacado no teatro, ganha cada vez mais força no cinema e em ''5 Frações'' representa um obsessivo por pés no trecho de abertura que logo assume uma fotografia em preto e branco. Gero Camilo, ainda que de participação breve, está marcante no papel de um açougueiro.
O bom elenco ajuda e as diferentes histórias e o modo próprio de contá-las traz algo de novo, fresco. A Belo Horizonte que resulta é universal, quase sem identidade - como a Curitiba que vemos em ''Estômago'', de Marcos Jorge. Em cada um dos trechos, porém, fica clara uma irregularidade, recheada de momentos ruins alternados com outros divertidos e bem pontuados. É como se, prestes a perder o fôlego, ao iniciar a próxima história, o filme necessitasse preencher os pulmões de ar para seguir em frente.

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