''E fala demais sem ter nada a dizer'', cantava Renato Russo em ''Índios''. O trecho também é válido para o cinema. Especialmente para o início de ''Pequenas Histórias'', filme em cartaz no Unibanco Artplex e Cineplex Batel, em Curitiba.
Nas cenas noturnas, sobra iluminação. Sobra também informação: temos um narrador (Marieta Severo) reforçando imagens que já estamos vendo e, mais grave ainda, uma trilha sonora constante e incomodativa, que causa uma poluição incrível e nos impede de usufruir da proposta e da simpatia de Patrícia Pillar, intérprete da sereia Iara na primeira das quatro histórias narradas.
Nas historietas contadas na sequência, os problemas se tornam mais brandos. O filme, aos poucos, ganha pela ingenuidade cômica de seus personagens. Seja com o Papai Noel ladrão (Paulo José) ou Zé Burraldo (Gero Camilo), no trecho que lembra os desenhos da Warner Brothers. Como tema, o longa resgata a história oral, aquela que é contada, notadamente pelos mais velhos, e que, muitas vezes, não está registrada nos livros e jornais. O diretor Helvécio Ratton, de ''O Menino Maluquinho'', propõe-se a, mais uma vez, fazer um filme família - o que acerta em alguns poucos, porém bons, momentos.
Se em ''Batismo de Sangue'', seu longa anterior, ele se voltava ao pesado universo da Ditadura Militar, aqui fica nas tradições e costumes populares. A opção por uma fórmula desgastada, que em ''Pequenas Histórias'' não traz novidades, impede o trabalho de deslanchar. Um formato que, aparentemente, funciona melhor de maneira seriada e na televisão.

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