NAS TELONAS
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 08 de julho de 2008
Rafael Urban<br> Equipe da Folha 
Alguns atores bonitões acabam se tornando bons diretores. No Brasil, é o caso de Anselmo Duarte, que venceu a Palma de Ouro de Cannes, com ''O Pagador de Promessas'', em 1962. Atualmente, isso acontece também com Carlos Alberto Riccelli, em ''O Signo da Cidade'', em cartaz em Curitiba.
No cinema americano, essa mudança de foco aconteceu com John Cassavetes, ator de o ''Bebê de Rosemary'' (1968), e que, no mesmo ano, realizou ''Faces'', um de seus filmes mais marcantes. Talvez ainda seja o caso de Clint Eastwood, o caubói e galã às avessas, que hoje é um diretor muito respeitado.
Em ''O Signo da Cidade'', Riccelli faz sua segunda incursão no mundo da direção. Como personagem principal, utiliza sua esposa, a atriz Bruna Lombardi, no papel de Teca, uma astróloga que ajuda as pessoas com o poder das estrelas, das cartas e de seu programa de rádio.
Como o próprio nome do filme sugere, o que está em discussão é a cidade, a metrópole. Acompanhamos jovens em conflito, pais que cuidam dos filhos e filhos preocupados com a atitude dos pais. O suicídio é tema presente e constante no longa. Aqui cabe um parênteses. O longa documental ''The Bridge'', de Eric Steel, ainda inédito no Brasil, acompanhou os suicídios na ponte Golden Gate, nos Estados Unidos, por um longo período e talvez consiga discutir a questão com mais propriedade.
''O Signo da Cidade'' é inconstante como a realidade dos indivíduos que retrata. E, como na vida, mesmo as pessoas que trabalham para ajudar outras pessoas, caso da astróloga Teca, também são repletas de problemas. Apesar da irregularidade, o filme traz bons momentos e aponta que algum talento reside no ator, e agora diretor, Carlos Alberto Riccelli.


