NAS TELONAS
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de março de 2008
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Para quem gostou dos filmes brasileiros ''O Céu de Suely'' e ''Cinema, Aspirinas e Urubus'', ''A Casa de Alice'' (90 min.) é outra boa opção. Apesar das diferentes temáticas, os três têm em comum o fato de retratarem narrativas sobre pessoas simples, mas cujas histórias geralmente ficam distantes do cinema. Primeiro longa-metragem de ficção de Chico Teixeira, ''A Casa...'' mostra a vida de uma família típica classe média e urbana. O foco é Alice (a atriz Carla Ribas), mãe de três filhos. Ela trabalha como manicure num salão de beleza e divide a casa com sua mãe, Dona Jacira, seu marido Lindomar, que é taxista, e seus filhos, Lucas, Edinho e Junior.
Alice e Lindomar mantêm um casamento cômodo e infeliz. Aos poucos, o filme revela o caso sexual de Lindomar com uma quase adolescente e a esperança de Alice ao investir numa outra relação, ao reencontrar um ex-caso amoroso. Já Lucas pretende se tornar tenente e, em casa, é tão autoritário quanto seu pai e seus superiores no exército. Edinho rouba por um tênis ou um discman, enquanto Junior se concentra no início de uma relação afetiva e sexual. A casa é mantida por Dona Jacira, que é destratada especialmente pelo neto mais velho e por Lindomar. Ela limpa tudo, lava roupa, cozinha.
Vidas um tanto cansadas, comuns, de quem têm apenas um dia-a-dia e algumas migalhas de esperança. Difícil de ser levado para as telonas, apesar do mote aparentemente banal. Mérito do cinema brasileiro, já demonstrando maturidade para fazer coisas ''simples''.


