''Sem controle'', filme brasileiro em cartaz nos cinemas de Curitiba, traz à tona a trajetória real, e pouco conhecida, do fazendeiro Manoel da Motta Coqueiro, cuja execução, em 1885, teria dado início a um processo que culminou com a extinção da pena de morte no País. Motta Coqueiro, acusado de mandar matar Francisco Bennedito da Silva e sua família, foi condenado ao enforcamento. Sua suposta inocência, entretanto, teria levado o imperador Dom Pedro II a aceitar clemências nas sentenças de morte seguintes. Mas o fato, pena, não é o mote da trama, que inclusive nem se propõe a recuperar qualquer aspecto cultural do século 19.
No filme, a execução de Motta Coqueiro é tema da peça de teatro fracassada do personagem Danilo, interpretado pelo ator Eduardo Moscovis. Em seguida, Danilo propõe reescrever a mesma peça de teatro para utilizá-la numa oficina que resolve ministrar para pacientes psiquiátricos. Mas, uma reviravolta brusca no filme - o que não significa, necessariamente, nenhuma nova emoção - faz com que Danilo se obrigue a entrar no papel de Motta Coqueiro, mesmo conhecendo o destino fatal do fazendeiro. Aqui, não se sabe se a idéia era apenas a de propor uma confusão entre realidade e fantasia (até com um toque de terror). Ou se a intenção era somente sugerir uma ligação em torno das ''injustiças'' vividas por Danilo e pelo próprio Motta Coqueiro. Mas, independente de qualquer opção, naquela altura o filme já deixou de se justificar ao espectador. E nem mesmo a boa atuação de Moscovis, cuja inspiração para defender um papel mal construído chega a ser visível, consegue compensar o ingresso.
A suposta idéia de misturar realidade e fantasia (inclusive mesclando timidamente linguagens do cinema e do teatro), de tratar de injustiça, e de perda de controle sobre as situações, não chega a ser inicialmente infeliz, mesmo que pretensiosa. O problema é quando não há qualquer estrutura narrativa para ligar os pontos e bolar um filme de verdade.

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