Santo Antônio e Ogum são um só? ''Devoção'', documentário de Sergio Sanz em cartaz no Unibanco Arteplex, em Curitiba, questiona o conceito de sincretismo religioso. Se, por um lado, o trabalho leva ao cinema o debate sobre uma polêmica questão religiosa - o que é um mérito, considerando a presença marcante da religiosidade no País -, por outro, em pouco tempo perde o rumo de sua proposição. A fala de populares, no filme, é suplantada pela presença de especialistas - aqui, a discussão sobre fé cabe a professores, doutores e líderes religiosos. Sendo que, aos poucos, ganha um tom quase didático, com depoimentos demasiadamente longos. A pobreza não é apenas de linguagem, que trabalha um vício do documentário contemporâneo, notadamente marcado pelo uso contínuo de falatório sem uma estrutura cinematográfica que o sustente.
Logo, aparece mais uma questão marcante no trabalho: a articulação de discurso, levando em conta que o filme assume uma ideologia, é absolutamente falha. Na edição, a intercalação de depoimentos, por momentos, soa aleatória. E, ao buscar falar de muitas coisas, o longa fica sem prumo. A ''tese'', palavra muito ligada à Academia, aqui parece esquecer da importância de se ter um foco.
Entre blocos de depoimentos, o filme é adornado por cenas de práticas da religião Católica e do Candomblé. Ainda que a fotografia seja irregular, alternando bons e maus momentos, no trato respeitoso à religião de origem africana reside um dos bons momentos do filme. E, diferente de muitos documentários, em ''Devoção'', o Candomblé não aparece como algo exótico, místico.

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