''Paranoid Park'' (90 min.), do comentado diretor Gus Van Sant, foi lançado o ano passado, já percorreu algumas capitais brasileiras, mas só agora deve chegar às telonas de Curitiba - a pré-estréia do filme ocorreu sem nenhum alarde num único cinema da Capital paranaense dias 4 e 5 últimos. Na trajetória internacional, ''Paranoid Park'' chegou a ganhar o prêmio especial do Festival de Cannes no primeiro semestre de 2007, cuja estatueta máxima foi concedida merecidamente ao romeno ''4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias'', que em Curitiba não durou em cartaz. Mas a espera valeu a pena: adaptação do livro de Blake Nelson, ''Paranoid Park'' é criação pós-moderna - ainda que o termo pareça arriscado - bastante parecida, mas superior, ao bom ''Elefante'' (2003), também de Gus Van Sant.
Com aquele ar experimental característico, o diretor fala da vida do skatista Alex (personagem do ator Gabe Nevins), um adolescente comum da classe média que acidentalmente se envolve na morte violenta de um funcionário responsável pela segurança das linhas de trem. Alex opta por não revelar o fato a ninguém e tenta, ainda que cercado por perguntas de um investigador, levar sua rotina adiante.
Mas o comportamento de Alex após o episódio é quase o mesmo do espectador. Há uma espécie de choque, como quem não consegue reagir a um golpe. Em seguida, um silêncio mortal, em contraposição à face angelical de Alex. A partir dali, não há qualquer saída aparente para o protagonista - e o diretor nem permite nenhum resto de esperança. A angústia ''muda'' é traduzida em boa medida pela originalidade plástica do filme - de delicadeza incomum.

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