NAS TELONAS - Outra decepção na safra recente de Woody Allen
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 27 de maio de 2008
Catarina Scortecci<br> Equipe da Folha 
Woody Allen está em cartaz em cinemas de Curitiba, mas não há motivos suficientes para assisti-lo. ''O Sonho de Cassandra'' (104 min.), drama assinado por ele no ano passado, lembra o chato ''Match Point'' (2005), do mesmo diretor. Não só por conta da combinação de ambição, assassinato e culpa. Assim como em ''Match Point'', atuações centrais em ''O Sonho de Cassandra'' são um tanto fracas, a ponto de comprometer a produção. No filme recente, o ator Colin Farrell, que já havia trabalhado nos péssimos ''Pergunte ao pó'' (2006) e ''Alexandre'' (2004), não dá força ao roteiro (em ''Match Point'', o constrangimento fica por conta da atuação de Jonathan Rhys-Meyers, no papel principal do filme).
Entre as produções recentes, ''O Sonho de Cassandra'' não foi a primeira decepção: apesar de ter assinado o ótimo ''Igual a tudo na vida'' (2003) e o mediano ''Scoop, o grande furo'' (2006), Woody Allen esteve à frente do intragável ''Melinda e Melinda'' (2005).
Em ''O Sonho de Cassandra'', Terry (Colin Farrell) e Ian (o ator Ewan McGregor, que ao contrário do colega de cena mantém uma carreira sólida nas telonas) são irmãos bastante próximos. Terry trabalha numa oficina de carros, mas volta e meia opta pelos jogos de aposta para tentar ganhar algum dinheiro. Ian ajuda desgostoso na administração do restaurante do seu pai, e não esconde os planos de investir em negócios mais robustos. As ambições de ambos encontram força na figura do endinheirado ''tio Howard'' (o ator Tom Wilkinson), que para ajudar os sobrinhos sugere uma troca: ele pede aos irmãos para ''eliminar'' um ex-funcionário da sua empresa que está prestes a testemunhar sobre irregularidades nos seus negócios. A trama, entretanto, segue sem graça, até um final que soa como lição de moral.
Assim, ''O Sonho de Cassandra'' infelizmente acaba longe do talentoso Woody Allen de ''Crimes e Pecados'' (1989), filme que também cercava, mas com humor único, o universo pesado das ambições e dilemas humanos. O jeito é ficar com obras passadas do diretor - cuja intensa filmografia percorre as três últimas décadas -, e torcer para que as boas produções recentes não continuem sendo minoria.


