NAS TELAS Melhores momentos de 'Cocoricó'
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terça-feira, 03 de março de 2009
Rafael Urban<br> Equipe da Folha 
Foi-se o tempo de Castelo Rá-Tim-Bum e Sítio do Picapau Amarelo. A série Cocoricó, da TV Cultura, agora disponível nas locadoras, está longe, em muitos sentidos, da qualidade de Castelo Rá-Tim-Bum. Ainda assim, é uma mostra de que a televisão brasileira continua fazendo bons produtos voltados ao público infantil. Na caixa, batizada ''Cocoricó - Melhores Momentos'', há dois DVDs, com cinco episódios cada.
Já o primeiro, ''Chuva, Chuvisco e Chuvarada'' vem com um divertido número musical - que remete, inclusive, ao bom humor de Mazzaropi, tema da coluna passada. Tanto pelo espaço rural e o sotaque do interior paulista quanto pelo cantarolar falado. Mesmo que os clipes sejam um ponto alto, isso não é regra geral. ''E se...'', apresentado por Astolfo, um porquinho que lembra dos personagens dos Muppets (todos são feitos de espuma), resulta numa paródia não-intencional de Bertulina, cantora trash de sucesso do YouTube.
O ar didático com realces moralistas dá o tom à série. A sinopse do episódio ''Cocô e sua utilidade'', uma mostra. ''Isso será explicado num musical divertido, e que ensina que tudo na natureza tem sua função.'' E mesmo que o universo apresentado seja evidentemente maniqueísta - os bons são bonzinhos e educados enquanto os malvados estão do outro lado -, a série tem o mérito de encarar com naturalidade questões ásperas.
Falta, é certo, um quê de irreverência. Mas a ingenuidade do humor e a pureza das ações apresentadas têm uma beleza sutil. Trata do sonho infantil, aqui nostalgicamente distante dos centros urbanos - a ação se passa em uma fazenda. Uma temática em que é difícil ser honesto com as crianças. O japonês Hayao Miyazaki foi um dos poucos a alcançar um bom resultado na matéria, notavelmente com ''Meu vizinho Totoro'' (1988) e ''O Serviço de Entregas de Kiki'' (1989). Fiquemos com o bordão de Júlio, protagonista de Cocoricó. ''Puxa, puxa, que puxa!''


