NAS TELAS Jeca Tatu em DVD
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Rafael Urban<br> Equipe da Folha 
''Distração em forma de otimismo.'' Assim Amácio Mazzaropi resumiu o que oferecia ao espectador de cinema brasileiro. O público de seus 32 longas-metragens, realizados entre 1951 e 1980, é o maior que um único artista reuniu no cinema nacional - superior até ao dos filmes de Xuxa e Os Trapalhões. ''Jeca Tatu'' (1959) é um dos 29 de seus longas disponíveis em DVD e o tema de hoje da coluna.
O trailer é autoexplicativo. ''Moleque e inocente, humilde e sabichão, Jeca Tatu é um retrato alegre e emotivo da tradição celebrada pelo gênio de Monteiro Lobato.'' O escritor e criador do personagem é homenageado na abertura do filme. Tal como os grandes atores cômicos do cinema - Buster Keaton, Charles Chaplin e Jacques Tati - Mazzaropi é a grande estrela de seus filmes. Dirigiu alguns e produziu todos os realizados a partir de 1958, ano em que fundou a PAM Filmes.
Em ''Jeca Tatu'', o espectador disposto a rir com um humor sem pretensões, vai se divertir bastante. O longa está longe de ser impecável tecnicamente, mas é relativamente bem executado. As sequências musicais com Agnaldo Rayol, Lana Bittencourt, o casal Tony e Cely Campello além de duas com o próprio Mazzaropi são impagáveis. Ele é a figura central e seu carisma é evidente.
O descuido com as atuações secundárias - dos coadjuvantes a figurantes - é notável e chega a ser um cômico involuntário. Diferente dos outros artistas citados (Chaplin, Keaton e Tati), o trabalho dos filmes de Mazzaropi escapa dessa proposta autoral consistente e, como forma, é mal-acabado, de roteiro fraco e atuações irregulares. Seu talento, porém, se sobressai. No longa em questão, ele vive e encara seus conflitos cotidianos à sua maneira, por vezes com covardia, mas com honestidade e calmaria inabaláveis.
A relação com a cinematografia hollywoodiana - o vilão ao estilo caubói estadunidense chama-se Vaca Brava - é evidente, assim como a presença inequívoca de um conteúdo próprio, brasileiro. Para ver, gostar ou não. Mas não deixar passar batido.


