NAS TELAS Cine-indústria paulista
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 17 de março de 2009
Rafael Urban<br> Equipe da Folha 
Na semana passada, este espaço abordou o filme da Atlântida, companhia cinematográfica carioca que buscou os moldes de produção hollywoodiano. ''Floradas na Serra'' (1954), disponível nas locadoras, foi o último filme da Vera Cruz, equivalente paulista que surgiu alguns anos depois. Aqui, a condição técnica está muito além. Chama a atenção a boa iluminação, narrativa coerente e um modelo de produção muito distante e quase irreconhecível dentro do que se fazia no cinema brasileiro.
A Vera Cruz trouxe ao Brasil técnicos europeus e equipamentos usados norte-americanos. O resultado tampouco se distancia do cinema de Hollywood: não fossem as falas em português e o cenário familiar de Campos do Jordão, está muito mais próximo da produção estrangeira do que da realizada no País naquele momento. Era, mais uma vez, a busca pelo cinema como indústria, como produto.
O drama trata da relação entre Lucília (a atriz ícone do teatro Cacilda Becker) e Bruno (Jardel Filho). Uma história de amor fadada a um fim trágico. ''O que pode querer mais uma mulher com um só pulmão do que estar apaixonada?'', questiona a protagonista.
Na versão restaurada, restou um áudio muito ruim, irreconhecível por momentos, e a queda de frames em uma cena - um inequívoco descuido marcado na tela pelas palavras ''needs processing''.
A montagem, muito bem executada, ficou a cargo do paranaense Mauro Alice, hoje com 85 anos. Mais tarde, Mauro Alice editaria filmes de Mazzaropi, que fez seus primeiros longas na Vera Cruz, e, recentemente, ''Carandiru'' (2003).


