NAS TELAS
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de março de 2009
Rafael Urban<br> Equipe da Folha 
Quando o cinema brasileiro quis ser Hollywood, teve dois nomes: Atlântida, no Rio, e Vera Cruz, mais tarde, em São Paulo. A coleção que marca os 65 anos da Atlântida, o primeiro dos dois grandes estúdios, está disponível nas locadoras.
''Aviso aos Navegantes'', de 1950, retrata bem o período. Em um cruzeiro que vai de Buenos Aires à capital fluminense, acompanhamos as trapalhadas de Frederico e Azulão, vividos pela dupla Oscarito e Grande Otelo, que atuam em alguns bons momentos cômicos do filme.
A trama é absolutamente padrão e emula clichês hollywoodianos enquanto é intercalada por números musicais brasileiros - simbolicamente, ao chegar ao Rio a música tocada tem ares ufanistas, o cinema em busca de algo genuíno.
O galã e depois diretor Anselmo Duarte, no papel de Alberto, vai ajudar a dupla de astros a encontrar um perigoso espião a bordo. Em determinado momento, o personagem de Oscarito, bêbado em uma festa, faz lembrar do impagável Peter Sellers em ''Um Convidado Bem Trapalhão'' (1968).
Com uma narrativa fluída, o longa aproveita-se bem do talento de seus atores - José Lewgoy faz o vilão típico. A influência do cinema estadunidense está logo na abertura, com o ''Atlântida Apresenta'', orquestra ao fundo, seguida da apresentação dos atores principais em letras garrafais - o que antecede, inclusive, o título.
Se para muitos críticos o período foi uma emulação tupiniquim de baixa qualidade, vale a pena decidir isso por olhos próprios. E encontrar um interessante momento da produção cinematográfica brasileira.


