NAS TELAS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Rafael Urban<br> Equipe da Folha 
Parece videoclipe, mas não é a apresentação de uma música. Parece, também, uma colagem sem fim de técnicas e movimentos de câmera. ''Sem Controle'', disponível nas locadoras e dirigida pela estreante em longas-metragens Cris D'Amato, já assume o que realmente é como filme desde o título.
Eduardo Moscovis interpreta Danilo, um diretor de teatro transtornado com a recepção de seu último espetáculo. Na cena de abertura, regada a uma sequência infindável de cortes, acompanhamos o personagem passando por um de seus piores momentos. Danilo é então levado por uma amiga a uma clínica psiquiátrica onde conhece Aline (Milena Toscano), com quem vai ter uma relação, como sugere o título do filme, sem controle.
Se, por um lado, o longa se perde em meio ao excesso na utilização de recursos cinematográficos suas qualidades surgem, por fim, quando recupera a calma, e deixa a fluidez narrativa se dar sem a necessidade de movimentos de câmera que se sobrepõem à proposta ou cortes excessivos e absolutamente redundantes.
Aí entram as interessantes interpretações dos protagonistas, o que também aparece no elenco de apoio. Na clínica psiquiátrica, Danilo decide remontar com os pacientes seu espetáculo. Logo, realidade e ficção se confundem, momento em que o filme assume uma postura dramatúrgica de teatro.
''Sem Controle'' não consegue deixar de lado a irregularidade e falta de consistência na construção técnica. O mais interessante, porém, é que apresenta algo fresco, distinto na produção cinematográfica brasileira recente.


