''O aborto dos outros'' deu o que falar quando chegou aos festivais e cinemas. Em uma perspectiva quase inédita do debate, ia de encontro à discussão moral, social e religiosa dando voz às mulheres que passaram pela experiência. Algumas poucas mostravam seu rosto para a câmera, mas a maioria das personagens só tinha parte do seu rosto revelado.
O documentário, agora disponível nas locadoras, não poupa o espectador de imagens fortes. É o caso da jovem de 13 anos que, estuprada, revela à assistente social estar grávida, logo na primeira cena. A câmera, por diversos momentos, apenas acompanha. Em outros, a diretora estreante em longas, Carla Gallo, conversa com os personagens - como na cena em que a mesma jovem mostra os desenhos que fez no hospital.
O filme acompanha cenas em hospitais públicos - no Brasil, o aborto é ilegal com exceção de casos de estupro e risco de vida à saúde da mãe, previstos por lei. Em um terceiro caso, o da má-formação do feto, a mãe pode recorrer à Justiça.
De acordo com dados de uma pesquisa feita 1998, 70 mil mulheres morrem por ano no Brasil devido a práticas ilegais de aborto. O documentário claramente toma partido e pergunta: a criminalização do aborto está resolvendo?

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