O dom de fazer descobertas felizes por acaso, ou ''serendipity'', é o mote de ''Bodas de Papel'', novo filme de André Sturm, disponível nas locadoras. A palavra em inglês que percorre toda a narrativa também é explicada como ''você sai para comprar um presente para a sua mãe e a dona da loja é a mulher da sua vida''.
Em uma montagem paralela, somos apresentados a Nina (Helena Ranaldi) e Miguel (o experiente Darío Grandinetti, que trabalhou com Eliseo Subiela e também com Pedro Almodóvar, em ''Fale com Ela'', de 2002). Miguel é um arquiteto argentino que viaja a trabalho para Candeias, cidade fictícia do interior de São Paulo, onde vai ter seu destino reunido ao da pintora Nina, que há pouco menos de um mês trabalha na restauração do hotel construído por seu avô.
Enquanto Miguel segue entre suas idas e vindas a São Paulo, Nina trabalha em uma sequência de telas sobre uma lenda que ouvia de seu avô e que adora repetir - sobre príncipes de uma terra distante influenciados pela sorte do destino. Nesse meio tempo, 365 dias se passam. E é justamente na passagem de tempo que o filme apresenta sua maior incoerência: ainda que tente, sua narrativa não dá conta de mostrar que, em meio à paixão, um ano se foi. As cenas mal executadas dos flashbacks da infância de Nina também tiram parte do brilho da construção do roteiro, inteligente e bem executado.
Se há bons e maus modos de se utilizar câmera na mão, o longa é pródigo em apresentá-los. Destaque positivo para a sequência em que Nina está prestes a presentear Miguel com uma apresentação musical.
Como diz um dos personagens, ''as boas histórias estão sempre sendo contadas de novo''. ''Bodas de Papel'' é uma simples, mas boa história e nos lembra que os bons momentos estão nas coisas pequenas. Em um construção simbólica direta, consegue acertar onde muitos longas erram. Aqui, a sutileza não está na sugestão, mas em como conseguir fazer um bom filme tornando o óbvio interessante.

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