NAS TELAS - CINEMA PARA GREGOS E TROIANOS
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de maio de 2004
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> De Cannes<br> Especial para a Folha 2 
Três anos se passaram desde que ''Gladiador'' ganhou aquele punhado de Oscar e mais 457 milhões de dólares mundo afora. As previsões sobre uma descendência não se cumpriram imediatamente, e só agora parece florescer em Hollywood a tendência de que personagens e batalhas do mundo antigo, grego e romano, estão novamente em marcha com a disposição de ocupar o topo da preferência em termos de superproduções cinematográficas. Nesta sexta-feira, o ambicioso ''Tróia'' abriu caminho, e amanhã o box office americano já terá um indicativo da carreira comercial do filme diante dos números do fim de semana. É o primeiro papel principal de Brad Pitt em três anos, o que também ajuda nas operações de marketing.
O interesse de Hollywood em mais uma vez recriar aqueles vagos tempos de guerras, romances, mitos e lendas está apenas começando com esta visita superficial à ''Ilíada'', o poema de Homero. Depois de ''Tróia'' virá em novembro o não menos espetacular ''Alexandre'', em que Oliver Stone reconta a vida de Alexandre Magno, interpretado por Colin Farrell. E enquanto se espera para 2005 outro filme sobre o lendário herói da Macedônia, dirigido por Baz Luhrmann (''Moulin Rouge'') e interpretado por Leonardo Di Caprio, nos últimos dias dois projetos simultâneos estão sendo desenvolvidos na Itália para a televisão americana. Um é sobre as guerras civis que precipitaram a queda do imperador Julio César; e o outro focaliza a subida ao poder de seu sobrinho, Otávio, o primeiro a ser chamado de Augusto. As minisséries ''Império'' (Rede ABC) e ''Roma'' (HBO e BBC), ambas com orçamentos respeitáveis, serão as próximas atrações na telinha nos Estados Unidos, com previsão de estréia em 2006.
''Alexandre'' de Oliver Stone, o blockbuster de 150 milhões de dólares atualmente em processo de pós-produção, teve locações no Marrocos e na Tailândia. Como curiosidade, conta-se que entre os muitos percalços, a produção teve que controlar a movimentação entre cavalos e elefantes, que se comportaram como cães e gatos principalmente na batalha final da qual participaram milhares de soldados profissionais e foram utilizadas utilizados 3 mil escudos, 9 mil flechas e mil lanças. Ao lado de Colin Farrell (cuja escolha gerou tantas discussões como aquelas que envolveram a eleição de Brad Pitt para o papel de Aquiles) aparecem Angelina Jolie e Val Kilmer como os pais do protagonistas, e Sir Anthony Hopkins como o velho Ptolomeu, narrando a história.
Há ainda uma anunciada superprodução sobre o guerreiro cartaginês Aníbal, com Vin Diesel dirigido por David Franzoni, o roteirista de ''Gladiador''. A julgar pelo dinheiro investido nesses projetos, tudo leva a crer que as ''major'' americanas esperam um bom retorno desse mix que junta batalhas incríveis, paixões alucinantes, intrigas familiares, política, uma certa curiosidade histórica e um canal de comunicação aberto com clássicos como 'Quo Vadis'' e ''Spartacus''. De todos os povos antigos visitados pelo cinema, quem melhor saldo, em quantidade e qualidade, são os romanos. Por outro lado, Hollywood tem um débito para com gregos e egípcios. E se outra tentativa fosse feita com a sempre fascinante história de Cleópatra ?


