Andar pelas ruas das grandes cidades da Jamaica não é uma situação confortável. Nem segura. As abordagens aos turistas são corriqueiras. Alguns querem lhe empurrar artesanatos; outros maconha. Mas não tome isso como regra em todo o país. São mais frequentes nos maiores centros urbanos, como Ocho Rios, Montego Bay e, principalmente, em Kingston.

Em 5 de maio de 1494, Cristóvão Colombo descobriu a Jamaica. Lá viviam cerca de 100 mil arawaks, uma tribo indígena pacífica, de costumes agrícolas e pesqueiros, que pouco resistiu ao regime de escravidão imposto pelos espanhóis.

Em 50 anos desapareceram do mapa. Desses primeiros habitantes ficaram apenas vestígios arqueológicos e o nome da ilha, Xaymaca: terra de madeira e de água.

Índios mortos, os colonizadores não tiveram outra alternativa a não ser começar a trazer substitutos de além-mar. E em 1516 chegava à ilha uma caravela trazendo duas mercadorias que mudariam para sempre seu destino: a cana-de-açúcar e os escravos negros.

O domínio espanhol durou pouco. Em 1654, a ilha passou para as mãos dos ingleses. Quem se aproveitou da situação foram os negros, que fugiram para as montanhas do interior e passaram a viver em espécies de quilombos.

Bem adaptados aos rigores da floresta tropical, utilizavam técnicas de guerrilha para se defender dos britânicos. Quando capturados, no entanto, eram torturados, queimados ou enforcados.

Esta situação estendeu-se até a abolição, em 1834. Libertos, os ex-escravos preferiram espalhar-se pelo território a ter de trabalhar nas péssimas condições do regime coronelista vigente.

A transição foi sofrida para os negros, que continuaram a ser oprimidos, violentados e destituídos de voz política. O sufrágio universal só veio em 1944 e a independência da Jamaica, anos mais tarde, em 1962. Desde 1992, um negro está na presidência do país. Eles são maioria no congresso e representam 90% da população. Muitos ficaram ricos, outros são de classe média, mas grande parte ainda vive sob a sombra do passado da escravidão.

São bastante pobres, mas não chegam a ser famintos, nem miseráveis. É difícil encontrar um jamaicano desnutrido. Em geral, são altos, fortes e atléticos características daqueles que vieram do Vale do Nilo, desde o sul da Etiópia até o norte do Egito. (E.P./AE)

mockup