Nas rimas da vida
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de setembro de 2014
Nelson Sato<br>Reportagem Local 
Todas as sextas-feiras à noite, eles se juntam para celebrar o hip hop na região central de Londrina. Chegam em grupos e ocupam duas áreas de lazer, primeiramente a Concha Acústica e depois o Zerão.
Travam batalhas de MC's, trocam informações e idealizam projetos. Quando não vão a pé, usam transporte público, vindos de bairros distantes, muitos de zonas periféricas quase coladas a municípios vizinhos.
O rapper Melk, pseudônimo de Melquizedelk Marcondes da Silva, de 26 anos, é um dos participantes. Nem sempre consegue ir. Mas o motivo da ausência é nobre: é que ele tem feito shows com o grupo 50 G, criado há um ano em parceria com o amigo Rhuan Bocão.
Na semana passada, fez show em Goiânia (GO). "Tô viajando bastante agora", diz o artista. Melk conta que as letras do grupo abordam "o dia a dia do União da Vitória (referência ao bairro onde mora), a liberdade da nova geração alternativa, a liberdade da música e a legalização da maconha".
Ele e Bocão também são responsáveis pela produção da "Batalha do 50", evento mensal realizado na Vila Cultural Kinoarte. Melk faz parte também do Família IML, um dos grupos locais com maior rodagem no segmento. "Não sou da formação original, entrei depois. O Família IML tem mais de dez anos. Seus integrantes são conhecidos. Todos desenvolvem trabalhos paralelos. Um deles (Palmerah) apresenta o programa 'Planeta Hip Hop' na rádio UEL FM", explica.
Para o rapper, o movimento hip hop experimenta atualmente um período de efervescência em Londrina. "Está mais visível agora", salienta. "A cidade virou uma referência. Caras de São Paulo, Curitiba e Salvador estão vindo para cá para desenvolver produções. Além disso, o pessoal de Maringá e de cidades vizinhas seguem o movimento de Londrina. Tem ainda uma galera ligada em música eletrônica que se juntou à galera do hip hop. Muitos DJ's estão organizando festas junto com o pessoal do rap. Antes não havia essa união. O grafite e as manifestações do picho também estão fortes", assinala.
Ele informa que montou um "instituto" com amigos com o objetivo de produzir shows e vídeos. "Já colocamos muitos clipes no Youtube", salienta. Melk tem gravado discos com regularidade, todos com produção independente. Em 2010, lançou o CD "Radiografia Mental". No ano passado, gravou com o 50 G - o CD "Ninguém vai Desconfiar".
Nesta temporada, colocou no mercado o solo "Radiografia Mental (Parte 2)". O disco traz 17 faixas. Foi gravado no Studio Ichiban Records, com produção do DJ Samu, à exceção de uma faixa registrada no Kep Studio, de Goiânia (GO).


