Todo mundo, ou quase todo mundo, já carregou um amuleto da sorte em algum momento da vida. O técnico Gilmário, da dupla de vôlei de praia Emanuel e Ricardo, não cansou de apertar um jacaré de plástico durante a partida que garantiu a medalha de ouro ao Brasil. Quem vai tirar o bicho das mãos dele, agora?
Como ele, é provável que muitos torcedores acompanharam as Olimpíadas pela TV com algum balangandã no bolso ou pendurado no peito. No país de tantas crenças, o que não falta é talismã para os mais diversos gostos e ocasiões. ''O Livro dos Amuletos'', que acaba de chegar às prateleiras, mapeia 40 deles reunindo histórias, curiosidades e atributos dos mais famosos objetos e símbolos associados à bem aventurança.
De autoria da jornalista Gabriela Erbetta e da designer Michelle Seddig Jorge, o volume tem formato de bolso e é fartamente ilustrado servindo como um guia prático para todos aqueles que já cruzaram os dedos em figa, evitaram passar por baixo de uma escada ou temeram pelo pior ao cruzar um gato preto numa noite de sexta-feira de agosto.
''Trata-se de folclore, de sabedoria popular e não de ciência. Mas, mesmo sem garantia alguma de que uma simples folha de louro possa nos deixar mais ricos ou de que um patuá garanta saúde de ferro, não custa nada ser otimista'' pregam as autoras no prefácio. O livro começa falando das supostas virtudes do alho, que espantaria até seres imaginários como vampiro, lobisomem e mula-sem-cabeça.
''Na falta de assombrações por perto, ele enxota também olho gordo e qualquer tipo de feitiçaria feita contra quem o carrega. Para sair por aí sempre protegido, vale prender na roupa um saquinho de pano recheado com alho, sal grosso e um galhinho de arruda, outros coadjuvantes de peso na hora de combater o azar'' anotam.
Sobre o sapo, elas salientam que diversas culturas já reverenciaram o batráquio ao longo dos séculos. Lembram que no Japão atual, o bicho garante que seu dono volte para casa em segurança e que ele receba, outra vez, todo dinheiro que sair da carteira. A pata empalhada de coelhos e lebres, adotada em chaveiros, também é citada no livro com o poder de afastar malefícios e atrair riqueza.
''Há quem diga, porém, que só o pé esquerdo do bicho é capaz de atrair sorte. Por via das dúvidas, esqueça o pé direito'' assinalam as autoras. O livro resgata amuletos das mais variadas tradições. Da cultura oriental, pinça o omamori, tipo de pingente para ser pendurado na parede ou no espelho retrovisor do carro. As peças de omamori podem ser encontradas em madeira, metal e tecido contendo inscrições plastificadas, moedas, sinos ou deuses.
Também do outro lado do mundo vem a estatueta do gatinho maneki neko, muito comum nas portas de entradas de lojas e restaurantes. ''Mas ele precisa estar com a pata levantada'' alerta o texto. Foi com esse gesto que, segundo uma lenda sobre a sua origem, um filhote de gato teria ajudado um comerciante a escapar da falência.
Como se vê não há limites para a imaginação dos supersticiosos. Veja este trecho: ''Se por acaso uma joaninha aparecer junto a você, comemore: ela carrega consigo a promessa de boa sorte e a a perspectiva de tempos melhores. Se o inseto pousar em sua mão, aproveite para fazer um pedido. Em seguida, sopre-o delicadamente e torça para ele voar, num sinal de que o desejo logo será concretizado''.
Ao leitor é sugerido enfeitar a casa ou a mesa de trabalho com uma réplica de vidro, cerâmica ou madeira para ''garantir que ele esteja sempre por perto''. Com 98 páginas, o livro fala ainda da fitinha de bonfim, o darumá, a cruz, a ferradura, os búzios, o olho-de-cabra, o selo de salomão, o bentinho e outros tantos talismãs de uso corrente no Brasil.

Serviço:
- Lançamento: ''O Livro dos Amuletos''. Autoras: Gabriela Erbetta e Michelle Seddig Jorge. Editora: Publifolha. Preço: R$ 22,00.

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