NAS PRATELEIRAS - O povo toma as ruas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 08 de outubro de 2004
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
A inspiração vem da guerrilha zapatista no México. A revolta liderada pelo comandande Marcos na região de Chiapas foi a primeira a confrontar o consenso neoliberal dominante na década de 90, renovando a militância radical de esquerda para um novo ciclo de protestos de rua em todo o mundo.
Reunidos em torno do movimento anti-globalização, os ativistas despontaram para a mídia em 1999, quando invadiram a cidade de Seattle (EUA) para a primeira de uma série de sucessivas manifestações contra os encontros da Organização Mundial do Comércio (OMC) e instituições similares.
Houve ainda Praga, Toronto, Washington, Gênova, Barcelona e várias outras cidades. O Brasil também aderiu às sublevações anticapitalistas com a criação de um núcleo formado sobretudo por ativistas contraculturais e socialistas libertários ligados aos movimentos estudantil, ecológico, feminista e gay.
O livro ''Estamos Vencendo! Resistência Global no Brasil'', de André Ryoki e Pablo Ortellado, chega às prateleiras trazendo um registro fotográfico das ações realizadas pelo movimento no País. Em 176 páginas, embute ainda uma cronologia dos eventos e um anexo com reproduções de documentos, panfletos e cartazes.
A maioria das fotos destaca manifestações ocorridas em São Paulo, como uma passeata contra a criação da ALCA e uma concentração em frente à Bolsa de Valores que terminou com tintas e pedras lançadas ao prédio e inevitável confronto com a polícia. Há flagrantes de uma ''City Tour'', organizada em várias partes do mundo e realizada também na capital paulista para protestar contra uma reunião da OMC no Catar.
O roteiro do passeio incluiu bancos, lojas do McDonald's e o consulado dos Estados Unidos. Ortellado assina um breve texto de apresentação revelando as motivações e os impasses que marcaram o coletivo ao longo desses quatro anos de atuação. Ressaltando a forma de ''rede'' da organização, ele assinala que o engajamento dos simpatizantes da causa ocorre através de associações livres, que podem durar apenas o tempo de uma campanha.
Nas internas, sublinha ele, há uma vigilância permanente para não corromper a idéia de autonomia do movimento combatendo eventuais lideranças, hierarquias ou posições hegemônicas. As fotos reunidas mostram que a sisudez também é repelida pelo grupo. ''Para protestar contra o capitalismo não basta ocupar as ruas e gritar: é necessário ocupar as ruas para brincar'' proclama uma legenda.
O livro chega às prateleiras pela editora Conrad, a mesma que publicou recentemente os volumes ''Urgência das Ruas'' e ''A Guerrilha Surreal'', ambos tratando também do movimento anti-globalização.
Serviço:
- Livro: ''Estamos Vencendo!''. Lançamento: Conrad Editora. Páginas: 176. Preço: R$ 35,00.


