Afinal de contas, os Los Hermanos se converteram ou não à MPB? Quem ouvir o novo álbum deles, intitulado ''4'', vai chegar à conclusão que a banda inclina-se para formatos consagrados do cancioneiro popular brasileiro a ponto de emular Caetano Veloso na faixa ''Sapato Novo'', para o horror dos fãs indies empedernidos.
Mas as referências internacionais continuam indisfarçáveis e ainda hegemônicas no trabalho do quarteto carioca, como prova a canção ''Os Pássaros'', na qual decalcam descaradamente as linhas de guitarra e a vassourinha na bateria do grupo inglês Portishead. No geral, o disco é inferior, bem inferior ao aclamado ''Ventura''.
Como neste, que trazia a antológica ''Samba a Dois'' (quando é que Chico Buarque e outros notáveis vão se pronunciar sobre essa obra-prima?), o novo álbum também se revela virtuoso quando adere a harmonias e ritmos de extração verde-amarela. É o caso do samba ''Fez-se Mar'', de refrão aderente (''Parece que o amor chegou aí'') num disco arredio a refrões.
Mas é a melancólica ''Primeiro Andar'', com vocais fora do tempo e final súbito, que Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante, Bruno Medina e Rodrigo Barba alcançam o ápice de sua poética musical (''se alguém numa curva me convidar / eu vou lá / que andar é reconhecer, olhar. / eu preciso andar / um caminho só, / vou buscar alguém / que eu nem sei quem sou./ eu escrevo e te conto o que eu vi e me mostro de lá pra você. / guarde um sonho bom pra mim'').
O quarto disco é o mais contido, arrastado e anti-comercial da trajetória da banda. Os metais foram limados, as guitarras atenuadas e o apelo à MPB acentuado. Para os Los Hermanos, não há relação excludente entre gêneros musicais, mesmo porque a divisão só existe dentro de cabecinhas com graves lacunas de formação.

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