Nas linhas da independência
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sábado, 31 de agosto de 2013
Marcos Roman<br> Reportagem Local 
O mercado literário brasileiro movimentou R$ 4,98 bilhões no ano passado. Conforme dados de uma pesquisa divulgada recentemente pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), em 2012 foram comercializados 469,46 milhões de exemplares em todo o país. Longe desses números estratosféricos, e fora do grande filão de best-sellers e publicações focadas em autoajuda, pequenas editoras londrinenses lutam para driblar diversos desafios e se manter no mercado altamente competitivo.
Incentivada pelos escritores Mário Bortolotto e Ademir Assunção, Christine Vianna fundou em 1998 a Atrito Art. "Criei a editora com o objetivo de melhorar a representatividade dos autores locais e aumentar a porcentagem repassada a eles", destaca a proprietária da editora, que também trabalha como atriz e produtora cultural.
Focada em livros de contos e poesia, em 15 anos de atividade, a Atrito Art colocou no mercado 88 títulos de autores londrinenses. "A maioria são autores locais. Mas já publicamos também livros de Antonio Bivar e Adriano Garib, que escreveram sobre dramaturgia, um assunto no qual as grandes editoras geralmente não têm interesse", diz Christine.
Segundo Christine, além de investir em temas que não costumam vender milhões de exemplares, a editora criada por ela enfrenta outros desafios. "Nossa maior dificuldade é em relação ao custo de produção e à distribuição dos livros", relata.
Como estratégia para amenizar os custos de produção, Christine aconselha os autores a buscarem apoio em leis de incentivo à cultura. E para diminuir os gastos com distribuição, a Atrito Art faz o trabalho que geralmente é feito por distribuidoras. "Ligamos diretamente para as livrarias, encaminhamos nosso catálogo e enviamos as encomendas pelos Correios. Não é possível chegar a todo o País, mas conseguimos colocar nossos livros em grandes centros como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais", salienta Christine.
Segundo ela, a estratégia de distribuição permite à Atrito Art destinar aos autores uma porcentagem sobre as vendas bem maior que a convencional. "Normalmente os autores recebem cerca de 10% sobre o valor de cada exemplar vendido. Quando eles conseguem patrocínio para a impressão dos livros e nós mesmos fazemos a distribuição, a porcentagem para eles aumenta para até 65% sobre as vendas", revela.
Apesar de criar alternativas viáveis, Christine enfatiza que constantemente está exposta a riscos. "Existe a possibilidade de baixo desempenho de vendas e também de inadimplência por parte das livrarias. Muitas vezes a gente manda exemplares para livrarias em sistema de consignação. Já aconteceu de alguns estabelecimentos fecharem e a gente ficar sem os livros e sem o dinheiro", revela.
A tiragem dos livros editados pela Atrito Art gira entre 500 e mil exemplares. "Divulgamos os lançamentos em eventos literários, pela internet e encaminhamos exemplares de cortesia para formadores de opinião em todo o Brasil. Além disso, divulgamos os livros em nosso projeto 'Um Dedo de Prosa', com o qual visitamos escolas e promovemos bate-papos com os autores."
Ela ressalta que é muito difícil lucrar com livros no Brasil. "quando lançamos um autor novo já avisamos que geralmente leva-se de um a dois anos para conseguir reaver o valor investido no livro. A não ser que o escritor já seja consagrado pela crítica e pelo público é complicado ganhar dinheiro com a venda de livros. A gente insiste em se manter no mercado muito mais pelo amor à arte do que pelo negócio que, como qualquer outro, é extremamente arriscado", avalia.
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