Quando ainda era uma adolescente e estudava nos Estados Unidos, a hoje experiente harpista Cristina Braga (são 30 anos de palco) comprou um disco do violoncelista de jazz norte-americano Eugene Friesen, que foi seu favorito durante anos. Passadas mais de duas décadas, os dois músicos, que se tornaram amigos depois do Rio Cello Encounter de 2006, estão juntos no CD ''Paisagem - Grandes Canções Brasileiras''. Nele, eles tocam e Cristina canta (sim, canta!) clássicos da MPB.
São músicas das décadas de 60 e 70, de Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Chico Buarque, Edu Lobo, Francis Hime: ''Valsa Brasileira'', ''Triste'', ''Inútil Paisagem'', ''Sabiá'', ''Retrato em Preto e Branco'', ''Pedaço de Mim'', ''Valsinha'', ''Eu te Amo'', ''Último Canto'', ''Atrás da Porta'', ''Bonita'', ''Modinha'' e ''Disparada'' (Geraldo Vandré). ''Palma da Mão'' e ''Cove'', composições da dupla em português e em inglês, fecham o disco.
Friesen veio pela primeira vez ao Brasil nos anos 70, e tomou gosto pelo que aqui ouviu. Como Cristina, é afeito a juntar a voz ao som de suas cordas. Seu timbre aparece em algumas faixas. O CD tem participações de músicos como os pianistas Francis Hime e André Mehmari e o violoncelista David Chew, sem o qual o disco não teria saído - foi ele quem apresentou a harpista a Friesen.
Esta não é a primeira vez que Cristina - apontada como responsável pela divulgação maior da harpa no País (acompanhou Titãs, Lenine e muitos outros e gravou disco de samba) - põe voz num CD. Em 2006, lançou ''Cortejo'', com várias músicas próprias. Também participou do DVD ''Palavras de Guerra ao Vivo'', de Olivia Hime. ''Sou uma pessoa que acredita em estudo. Faço aulas de canto há quatro anos'', ela conta, com a mesma doçura na voz que se ouve no CD. ''Essa coisa de cantar aconteceu depois que minha filha caçula nasceu. Ela era um passarinho.''
''Existem canções brasileiras que são pérolas da humanidade. Cantá-las me deu muito prazer'', diz a primeira harpista da Orquestra do Teatro Municipal do Rio.

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