NAS BANCAS - Rock faz história
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de novembro de 2004
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Qual foi o primeiro rock gravado no Brasil? Se você pensou em algum registro da turma da Jovem Guarda, trate de correr à banca mais próxima para corrigir suas lacunas de informação pop. Segundo reportagem publicada no número de lançamento da coleção ''História do Rock Brasileiro'', a autora da façanha foi Nora Ney, uma respeitável cantora de samba-canção.
Coube a ela introduzir o ritmo no País com uma gravação de ''Rock Around the Clock'', feita em cima da versão original de Bill Halley & His Comets, da trilha sonora do filme ''Sementes da Violência''. A faixa chegou às lojas num disco de 78 RPM. Era final de 1955, pré-iê-iê-iê. Lançada pela gravadora Continental, a música conquistou o primeiro lugar nas paradas, reproduzindo o sucesso do filme de Richard Brooks.
O curioso é que Nora Ney não foi escolhida para gravá-la apenas por causa de suas inegáveis qualidades vocais. Pesou muito, de acordo com a reportagem, a familiaridade com a língua inglesa.
Para os iniciantes, não menos insólito será saber que a primeira gravação de uma canção-rock genuinamente brasileira trouxe a voz de Cauby Peixoto. A música, de autoria de Miguel Gustavo, chama-se ''Rock and Roll em Copacabanana'' e foi lançada em 1957. A informação também consta na revista, a primeira de quatro fascículos dedicados a narrar a trajetória das guitarras no Brasil.
A coleção ''História do Rock Brasileiro'' é um projeto especial das edições Superinteressante, da Abril. O número de estréia abrange os anos 50 e 60 focalizando as gravações pioneiras, o impacto provocado pelo gênero na mídia da época, a onda dos grupos de rock instrumental, os programas musicais de tevê, a jovem guarda, o tropicalismo, os festivais e o movimento hippie.
Roberto Carlos é o principal destaque da edição, que lhe dedica 13 páginas incluindo a reprodução de uma entrevista histórica publicada originalmente na revista Bizz, em agosto de 1988. Os Mutantes não ficam atrás, aparecendo em fotos raras e em entrevistas inéditas.
O segundo número da coleção acaba de chegar às prateleiras abordando a década de 70 em reportagens e artigos assinados por um time experiente de jornalistas, entre eles Luis Carlos Maciel (titular da coluna ''Underground'', publicada no tablóide O Pasquim) e Okky de Souza (fundador da revista Pop). O painel, também recheado de fotos raras, começa revisitando as prisões e o exílio londrino de Caetano Veloso e Gilberto Gil após a decretação do AI-5.
O músico Samuel Rosa, do Skank, conta como a turma do Clube da Esquina construiu a ponte entre a música produzida em Minas Gerais e o rock dos Beatles mudando a vida de muita gente a dele, inclusive. A edição prossegue com matérias sobre os Novos Baianos, a safra de nordestinos elétricos (Fagner, Alceu Valença, Zé Ramalho, etc), Raul Seixas (com entrevistas garimpadas das revistas Pop e Bizz), Secos & Molhados, as bandas da época (Made In Brazil, O Terço, O Peso, Casa das Máquinas, Som Nosso de Cada Dia, etc), a música negra (Gerson King Combo, Toni Tornado, Tim Maia, Cassiano, Jorge Ben, etc), a discotheque (com depoimento de Nelson Motta) e a carreira-solo de Rita Lee.
Os dois próximos fascículos tratam, respectivamente, dos anos 80 e dos anos 90 aos anos 2000. Todas as edições trazem discografias fundamentais de cada período, além de contextualizações históricas e textos com resgates de personagens esquecidos.
Serviço:
- Coleção História do Rock Brasileiro em quatro fascículos mensais. Lançamento: editora Abril. Preço de cada exemplar: R$ 12,95.


