NAS BANCAS - História do Brasil em revista
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 31 de outubro de 2005
Célia Musilli<br>Reportagem Local 
A revista História Viva, uma publicação da Duetto Editorial, inaugurou a série Temas Brasileiros dedicando 98 páginas a um produto popular e muito importante para o Brasil: o café. Desde o seu consumo primitivo na Etiópia numa receita que não chega a aguçar o paladar dos ocidentais, com os grãos misturados à banha às xícaras fumegantes que ganharam apreciadores em todo mundo, o plantio do café transformou o Brasil numa potência agrícola, alternando ciclos de riqueza e de frustração.
A trajetória do café destaca-se em capítulos importantes com a descrição de sua expansão no ocidente, sua chegada ao Brasil, a partir de Belém do Pará, passando pelo Nordeste, até transformar-se em força econômica nos estados de São Paulo, Paraná, Minas Gerais, ao longo de um período que se estende desde o século 19 até a atualidade.
A história da expansão do café no Norte do Paraná merece do jornalista Denis Cardoso uma análise que começa nos anos 30 com a criação do município de Londrina, com base no desenvolvimento agrícola e chega até os meados dos anos 70, quando a geada negra dizima cafezais e sonhos no Estado. A partir disso, as lavouras passam a se expandir para Minas Gerais, mais precisamente na Zona da Mata, onde encontram clima ameno. No início do ano 2000, o produto ainda migraria para o oeste baiano, conta o jornalista, mas Minas manteria a liderança, Na safra de 2004/2005 , o estado detinha quase 48% da oferta nacional, ele destaca.
A revista História Viva não se detém na expansão agrícola do café. Abre capítulos para a história das soberbas fazendas de ricos produtores, as técnicas desenvolvidas para o plantio e a colheita, trata da construção das ferrovias exigida para o embarque do produto para outras regiões e países traça um panorama que aponta o café como produto de exportação que coloca o Brasil no mapa mundial. O grão, que deixou no seu rastro a criação e o desenvolvimento de cidades, proporcionou a industrialização no País e impulsionou até a cultura e as artes. O Teatro Municipal de São Paulo foi construído em 1911 por um cafeicultor poderoso, o prefeito Antonio Prado.
Apreciado mundo afora, o café brasileiro, dos bules das fazendas ao expresso servido nas máquinas, tornou-se um símbolo nacional tão conhecido no exterior quanto o samba e Pelé. Se hoje a expansão da pecuária arregaça novas fronteiras no centro-oeste do Brasil, no Sul e no Sudeste o café foi, sem dúvida, a locomotiva das economias.
Fartamente ilustrada, a primeira edição de História Viva direcionada a temas brasileiros, traz textos de historiadores e jornalistas que relatam com impecável cuidado a trajetória do ouro verde. Em edições bimestrais, a revista pretende detalhar aspectos variados da formação da cultura brasileira. O número a ser lançado em novembro vai trazer a história dos 500 anos de influência da Igreja Católica no País. História Viva é publicada no Brasil desde 2003 pela Duetto Editorial e nasceu de uma parceria com a revista francesa História, uma das mais tradicionais do gênero. Feita para colecionar, a publicação pode ser encontrada nas bancas a R$ 11,90.


