Uma árdua e barulhenta batalha é o que espera os professores Djalma Lima e Sérgio Reze, que vieram a Londrina com uma missão nada fácil: ensinar, no Festival de Música, os fundamentos do jazz e da improvisação para guitarra e bateria em apenas 12 aulas de 1h30. Se o tempo é curto para formar uma turma de jazzistas, ao menos possibilita o acesso a fundamentos básicos. Os alunos passam a ver os instrumentos com concepções diferentes e descobrem que improvisar depende muito da própria dedicação.
‘‘É a primeira vez que existe um curso de guitarra no Festival, parece que houve uma procura grande no ano passado e a organização resolveu ofertar. A sede dos estudantes é grande, eles perguntam sobre tudo’’, comenta o guitarrista Djalma Lima.
Dorico da SilvaDjalma Lima: jazz com liberdade, improvisação e linguagem mais brasileirasO curso também
possibilita conhecer
as raízes do jazz‘‘A gente procura dar noções gerais sobre a linguagem do jazz com exemplos, abrindo algumas portas para que eles consigam caminhar sozinhos’’, explica Sérgio Reze, acrescentando que, atualmente, os alunos ouvem muito o estilo fusion e tentam tocá-lo sem conhecer as raízes do jazz. ‘‘Você acaba produzindo um jazz sem alicerce, até os grandes músicos da atualidade estudaram a tradição como base para acrescentar novos elementos’’, completa.
Além disso, os professores ainda tentam passar detalhes técnicos. ‘‘Na aula de guitarra, por exemplo, não falamos só de jazz, mas também de algumas peculiaridades do instrumento’’, revela Djalma Lima. ‘‘A idéia é abrir portas para fazer jazz com liberdade, com improvisação, até com uma linguagem mais brasileira’’, assegura Reze.
Uma das maiores dificuldades é passar as noções do improviso. ‘‘O cara tem que aprender as escalas, os arpejos e a partir daí criar com os elementos que possui. Improvisar depende de cada um, de estudar e ouvir música’’, ressalta Lima.
Na bateria, Sérgio Reze prefere um tratamento melódico, ao invés de estritamente rítmico: ‘‘Geralmente você não tem uma partitura que mostre todos os arranjos. O ideal é saber a melodia e prestar atenção na variação de harmonia para construir o ritmo. O baterista de jazz está praticamente improvisando o tempo todo’’.
Reze tem uma carreira musical incomum. Começou a aprender bateria aos 20 anos, após assistir à um show. ‘‘Fiquei entorpecido e fui procurar um professor. Fiz três anos de aula no Brasil e fui para os Estados Unidos, para o Musicians Institute, em Los Angeles’’, recorda. Após dois anos, o baterista voltou ao Brasil para tocar e dar aulas.
Já o aprendizado de Djalma Lima começou aos dez anos, com o violão. Aos 12, tornou-se guitarrista, com tendência para o rock: ‘‘Fui me interessando pelo jazz e em 94 fui para o Musicians Institute, em Los Angeles. Lá tive mais acesso, conheci a tradição do jazz’’. O músico voltou ao Brasil em 95 e passou a tocar com músicos de jazz em São Paulo. ‘‘Boa parte do meu aprendizado devo a essa turma’’, afirma.
Os professores já sentem nos alunos os resultados do curso. ‘‘A visão começou a mudar, e aos poucos eles vão passando esse resultado para o instrumento. Além disso, os alunos terão material para estudar pelo menos até o ano que vem, para a próxima edição do Festival’’, assegura Lima.
Sérgio Reze também ficou entusiasmado com sua turma de bateria: ‘‘Tive sorte porque tem músicos de nível, tecnicamente bons. Só faltava um pouco de conhecimento da linguagem do jazz e encarar a bateria como se fosse um instrumento melódico e harmônico’’.
Ambos elogiaram a organização do Festival e desejam voltar no ano que vem. ‘‘Queria parabenizar a organização, o pessoal nos recebeu muito bem. Fiquei impressionado com a atmosfera, tudo voltado para a música’’, completa Lima. Para Reze, o Festival é uma iniciativa que deve ser perpetuada: ‘‘Essa foi a primeira vez no Brasil que participo de uma experiência deste tipo. É muito importante que esse festival continue acontecendo’’.
Ambos vão se apresentar com a Oficina do Jazz, amanhã, às 20h30, no Cine-Teatro Ouro Verde - Rua Maranhão, 85 - após o show da Oficina do Choro. Os ingressos custam R$ 3,00. Estudantes, idosos e funcionários da UEL pagam meio ingresso.

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