São Paulo - Os fatos são conhecidos: no dia 7 de agosto de 1974, o equilibrista francês Philippe Petit estendeu clandestinamente um cabo de aço entre as torres do World Trade Center, em Nova York, e caminhou de um prédio ao outro algumas vezes, sem nenhum tipo de proteção, para assombro geral. Como esperava, foi imediatamente preso pela polícia, mas a façanha repercutiu na imprensa e rendeu-lhe notoriedade mundial.
Para contar o feito passo a passo, "A Travessia" começa como um tradicional filme biográfico. Malabarista, ilusionista e equilibrista autodidata, Petit (Joseph Gordon-Levitt) ganha a vida se apresentando nas ruas de Paris. Quando descobre que as torres estão sendo construídas, fica tomado pela obsessão de atravessar o vazio entre elas, a 400 metros do chão.
Para tanto, aperfeiçoa suas habilidades na corda-bamba com Papa Rudy (Ben Kingsley), um velho artista de circo, que lhe ensina todos os macetes. Nessa época, Petit conhece Annie (Charlotte Le Bon), uma artista de rua que se torna sua namorada e cúmplice.
Essa primeira metade é bastante convencional, baseada em flashbacks nos quais Petit narra sua história do alto da estátua da Liberdade. Os fatos são apresentados num tom cômico um tanto adocicado, entremeados por discursos edificantes sobre a perseverança e o desejo de realizar sonhos.
Felizmente as coisas mudam na parte final, quando chega a hora de formar a equipe de ajudantes (um grupo de malucos), penetrar secretamente nas torres, lançar o cabo do alto delas e realizar a proeza. O ritmo se intensifica e ganha ares de thriller.
Mas é só na última meia hora, no momento da travessia, que se percebe que Robert Zemeckis está atrás das câmeras. O diretor norte-americano é conhecido por usar novidades tecnológicas para dar relevo às suas histórias cheias de fantasia e algum lirismo. Aqui, o recurso ao 3D e aos efeitos especiais se justifica plenamente, pois as imagens da travessia, em que a câmera acompanha Petit de perto e trabalha com competência o suspense, são vertiginosas.
Pena que a primeira parte não esteja – literalmente - à altura da fabulosa aventura.

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