''É muito bom quando se está do lado de fora. Não se ouve mais ninguém. É aquele silêncio.'' Palavras do recruta Ednir após seu primeiro salto de paraquedas, em entrevista ao filme ''PQD'', disponível nas locadoras. Durante pouco mais de um ano, o longa acompanha a trajetória, os sonhos e anseios de 70 jovens em serviço militar na Brigada Paraquedista, na Vila Militar, Rio de Janeiro.
O grupo entra no exército em março. Em maio, na cena mais deslumbrante, vemos, de dentro e fora do avião, o momento de acionar pela primeira vez o paraquedas. A opção, como na maioria absoluta dos documentários contemporâneos, é pela entrevista. Que ganha o tom de conversa fluída, em que os entrevistados, mesmo notavelmente acanhados pela presença da câmera, parecem estar num bate-papo com velhos amigos. Inteligente, o filme se aproveita ao máximo da artimanha. Quando os depoimentos são gravados em suas casas, no quadro também estão seus pais, mães e avós, que comentam como a vida no exército influencia o dia-a-dia.
O cotidiano dos treinamentos também é ponto chave. Aos poucos, as entrevistas formais dão lugar às cenas no quartel e às dificuldades enfrentadas. A qualidade na fotografia e a proximidade da câmera com as ações nos permite chegar mais perto de um jeito sutil e agradável. Com a direção de Guilherme Coelho, de ''Fala Tu'' (2003), o resultado mostra uma equipe de filmagem que efetivamente envolveu-se com o universo trabalhado. Mês a mês, eles estão lá novamente, mostrando e debatendo até mesmo assunto pouco agradáveis - caso do personagem que, depois de uma segunda deserção, vê-se obrigado a voltar para casa. Antes, conclui. ''Ser paraquedista foi a coisa mais importante que me aconteceu.''
Se o filme assume a postura de um documentário tradicional, faz isso em seu melhor e apresenta-se como, notavelmente, um dos melhores exemplares da safra recente do cinema nacional, mesmo que perca ritmo na parte final.

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