Uma das surpresas musicais da temporada, a banda Beleza de Gertrudes foi escalada para tocar no ''Londrix / Festival Literário de Londrina''. O convite não surgiu por acaso. Seu repertório, calcado em composições próprias, traz letras que embutem versos de Fernando Pessoa e Hilda Hilst.
O próprio nome da banda foi inspirado num conto de Carlos Drummond de Andrade, o que já revela um perfil diferenciado de seus integrantes. Seu show de estréia foi há pouco mais de dois meses na mesma Vila Cultural Cemitério de Automóveis que a recebe hoje.
O show começa às 22 horas, mas até a banda ligar os amplificadores muitas atividades ocorrerão no barracão da Rua João Pessoa, incluindo feira de livros, varal de poesias, intervenções poéticas, bate-papo com autores, mesa-redonda, palestra e lançamento com sessão de autógrafos.
Um dos convidados mais aguardados, Ilan Brenman vai ministrar a palestra ''Formando Leitores Dentro de Casa''. Autor de 34 livros, ele se notabilizou como contador de histórias, atividade que exerce há quase duas décadas. Seu livro mais famoso é ''Até as Princesas Soltam Pum'', um conto de fadas politicamente incorreto.
Nascido em Israel, Ilan mudou-se ainda garoto com a família para São Paulo, onde estudou e desenvolveu carreira acadêmica titulando-se Doutor em Educação pela Universidade de São Paulo (USP) e bacharel em Psicologia pela Pontifícia Universidade de São Paulo (PUC). Dono de vasta bagagem na área de narrativa oral, trabalhou com públicos variados e em realidades diversas.
Em 1997 participou do projeto ''Biblioteca Viva'', da Fundação Abrinq, formando educadores de comunidades de risco e assentamentos de terra. Em 2002, dedicou-se a contar histórias para crianças portadoras de deficiências a adolescentes hospitalizados. Hoje em dia, ensina professores a despertar nos alunos o gosto pela leitura, além de promover sessões de contação de histórias para adultos em um projeto que alia literatura e gastronomia.
Outro destaque da programação de hoje é o lançamento do livro ''Noct Lux'', da blogueira, fotógrafa e poeta Elisabete Mari Ghisleni. A obra, uma publicação independente, reúne fotografias e poesias produzidas ao longo de duas décadas. É o primeiro título da autora, que nasceu em Paranavaí (PR) e vive desde os anos 80 em Londrina. Formada em História pela UEL, ela teve poemas publicados na coletânea ''Poetas Contemporâneos do Paraná'', lançada em 1993 reunindo participantes do Concurso Helena Kolody. O Londrix prossegue até domingo.

Confira entrevista com Ilan Brenman.

ENTREVISTA

  Folha de Londrina: Quais foram as principais descobertas e constatações, ao longo dos anos, em suas andanças pelo País como contador de histórias?
  Ilan Brenman: Que os melhores contadores de histórias do mundo estão escondidos em pequenas cidades espalhadas pelo País.
  Como as famílias e as escolas vêem o ato de contar histórias para as crianças?
  Todos sabem que faz bem e é essencial para o desenvolvimento da criança, entretanto, pratica-se pouco. É como saber que ginástica faz bem, mas somos sedentários. O mundo atual não favorece o encontro humano permeado por palavras que realmente fazem sentido.
  Existe uma fórmula para contar histórias que prenda a atenção da audiência infantil?
  O objetivo nunca pode ser prender a atenção, a consequência de uma boa história resulta numa audiência atenta. Não existe uma fórmula para contar histórias, é como pedir uma fórmula para saber namorar, amar, respirar... A pergunta principal é: Quero contar história para quem e por quê? Um bom contador de histórias pode ser um cineasta, economista, escritor, engenheiro, cozinheira, pedreiro, médico etc.
  A partir de um certo período, você passou a contar histórias também para o público adulto. Como foi isso? Existe diferenças entre um público e outro?
  Atualmente só conto histórias para adultos num projeto que mistura alta gastronomia, histórias e música. O projeto chama-se ‘‘degustação de histórias’’. O público adulto vibra, se emociona, leva susto e se encanta como o público infantil. É claro que o repertório é diferente.
  E como foi a passagem de contador de histórias ‘‘de outros’’ para contador de histórias ‘‘autorais’’ utilizando o livro como veículo em vez da voz?
  No passado eu era um contador de histórias que escrevia, hoje sou um escritor que conta histórias. Amo criar e produzir livros infantis, faço com paixão e quero sempre livros inteligentes e muito bonitos graficamente, porque criança merece objetos que respeitem sua inteligência e senso estético.
  Quais são seus projetos atuais - tem algum novo livro engatilhado para sair da gaveta?
  Estou com 34 livros publicados, os últimos foram: ‘‘A Cicatriz’’ (Cia das Letrinhas) e ‘‘Mamãe é um Lobo!’’ (Brinque.Book). Posso contar uma novidade: estou com três livros para serem publicados na Espanha. Um deles, ‘‘Até as Princesas Soltam Pum’’ (Brinque.Book), será traduzido para o espanhol e o catalão.

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