Ele era feito de madeira. Toda vez que ele falava uma mentira seu nariz crescia. Como raramente dizia a verdade, seu nariz estava sempre em processo de crescimento. Em certos momentos, precisava da ajuda de um serrote, ou de um bando de pica-paus, para caminhar com tranquilidade.
Todo mundo já ouviu falar desse boneco de madeira, uma marionete chamada Pinóquio. Vários desenhos animados foram realizados contando suas aventuras e travessuras. Sua história foi criada há mais de cem anos atrás por um italiano chamado Carlo Collodi (também conhecido como Carlo Lorenzini).
A história de Pinóquio foi publicada originalmente em 1881, em capítulos, num jornal italiano. Anos depois foi transformada em livro. Essa versão original de ‘‘As Aventuras de Pinóquio’’ está sendo lançada no Brasil pela Editora Companhia das Letrinhas com ilustrações de Odilon Moraes.
O texto de Carlo Collodi difere em alguns pontos em relação às adaptações mais conhecidas. O Grilo-Falante, por exemplo, em sua primeira aparição, na tentativa de oferecer bons conselhos a Pinóquio, é morto pelo boneco com uma martelada. Outro detalhe: Gepeto e Pinóquio não são engolidos por uma baleia, como algumas versões indicam, mas sim por uma enorme tubarão.
‘‘As Aventuras de Pinóquio’’ narra a história de uma marionete que sonha virar num garoto de carne e osso. Pinóquio é o típico menino desobediente, preguiçoso e mentiroso. Não respeita seu pai, Gepeto, odeia ir para a escola, adora vagar pelas ruas, não gosta de realizar nenhum tipo de trabalho, é ganancioso e nunca pensa nas consequências de seus atos.
Por outro lado, Pinóquio possui um bom coração e toda vez que faz algo de errado, logo se arrepende. O drama é que esse arrependimento dura pouco e em pouco tempo está cometendo o mesmo erro que jurava nunca mais cometer. Essa é sua trajetória. E a de seu pai, bem como da fada que o protege, é perdoar e perdoar, oferecer uma outra e outra chance até que ele aprenda por si mesmo.
Embora Carlo Collodi coloque uma boa dose de fantasia em ‘‘As Aventuras de Pinóquio’’, desde as primeiras páginas deixa claro seu caminho moral. Encara a diversão e a bagunça, mesmo na infância, como componentes da vida, não como elementos que comandam a vida. O respeito ao outro e a responsabilidade sobre os próprios atos devem ser ensinados, bem como aprendido, por todos. Em outras palavras, simbolicamente, somos todos ‘‘pinóquios’’ aprendendo ser gente de carne e osso.
Serviço:
‘‘As Aventuras de Pinóquio - Histórias de Uma Marionete’’ de Carlo Collodi, ilustrações de Odilon Moraes, Editora Companhia das Letrinhas, 192 páginas, R$ 22,50.

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