São Paulo - Aquela Itália mítica - onde as vielas são cortadas por varais cheios de roupas, as pessoas passam falando alto e o trânsito desconhece qualquer ordem - ainda existe. Em Nápoles, capital da Campanha, o antigo se mantém em todos os lugares e mesmo o decadente dá à cidade certo estilo.
São justamente os prédios com pintura gasta e as ruas um tanto caóticas que atraem milhares de turistas para esse porto ao sul do país. Nem os problemas com violência e desemprego, tão noticiados recentemente, conseguiram afastar os apaixonados pelo lado mais autêntico da Itália.
Afinal, não há má notícia que consiga fazer alguém se esquecer de que por lá estão as ruínas mais reveladoras do país. Ou que foi justamente em solo napolitano que os italianos criaram a nossa querida pizza. Por isso, ao embarcar para Nápoles, deixe de lado a expectativa de encontrar um mundo perfeito. Pelo contrário. Esteja preparado para descobrir, nas imperfeições da cidade, novos adjetivos e sensações.
Comece a desbravar essa profusão de cores e tradições pelo centro. A maior parte do conjunto arquitetônico mais antigo de Nápoles se concentra em algumas ruas dessa região - é possível conhecer muito andando por lá.
O ponto de partida para o tour deve ser a Piazza del Plebiscito, onde está o belo Palazzo Reale. O prédio foi construído para os vice-reis da Espanha, em 1600. Anos mais tarde, outros moradores fizeram ampliações. Hoje, funciona no espaço a Biblioteca Nacional.
Continue caminhando e logo encontrará um dos pontos mais procurados de Nápoles, o Castel Nuovo, que já foi a principal residência real. Hoje, a enorme fortaleza abriga o Museu Civico, com um acervo sobre a história da cidade. Mas o melhor mesmo é reparar na construção original, de 1282. Observe também o incrível arco na entrada do castelo. Este, erguido em 1454, é herança aragonesa.
Parada no tempo
Outro ponto a favor de Nápoles é sua vizinhança. A menos de 30 quilômetros fica a incrível Pompéia, um dos sítios arqueológicos mais importantes do globo.
Para quem não conhece a trágica história dessa pequena cidade, um breve resumo: em 79 d.C., Pompéia e a vizinha Herculano foram inteiramente destruídas pela erupção do Vesúvio. Na ocasião, acredita-se que pelo menos 2 mil pessoas tenham morrido. Durante centenas de anos, tudo ficou coberto por pedra e lava e somente no século 17 começaram as escavações que revelaram uma cidade parada no tempo.
O calor do vulcão conservou prédios - vários deles ainda exibem pinturas e mosaicos quase intactos - e até alguns corpos de vítimas. Por isso, há muito o que ver. Reserve pelo menos um dia ou dois (dependendo do seu interesse por arqueologia) para vasculhar cada canto da cidade. Atente para as ruínas do Mercado de Pompéia e para a Casa de Fauno, uma famosa vila onde moravam os endinheirados da época.
Para os visitantes, mais um aviso: o Vesúvio continua ativo, mas sua última erupção foi registrada em 1944. O vulcão é considerado um dos mais perigosos do mundo.
Sol e mar
Nos arredores de Nápoles fica ainda outra preciosidade. Vá até o porto e pegue um barco rumo a Capri, a pouco mais de uma hora do continente. Com apenas 17 quilômetros quadrados, essa porção de terra recepciona os turistas com uma bela visão. Pense em casinhas coloridas e uma apaixonante confusão de vendedores.
No interior da ilha estão as atrações mais charmosas. Na parte alta de Capri, depois do Monte Solaro, as ruas são um verdadeiro shopping a céu aberto. Nessa área estão as lojas de grife e o burburinho da ilha. Siga para a Piazza Umberto I para continuar badalando. Por lá, bares e cafés são os responsáveis pelo agito.
Encerre o passeio no topo do Monte Solaro. Bem em cima da montanha está o Terraço de Tragara. Por lá, gaste todo o tempo admirando os Faraglioni, as formações rochosas que ligavam a ilha ao continente.

SERVIÇO
Castel Nuovo: Piazza Municipio. O ingresso sai por 5 euros.

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