Por conta da amizade com os irmãos Diniz João Paulo e Pedro Paulo Naomi Campbell vive por aqui. E se desfile fosse programa de auditório, alguém já teria cantado ''Naomi é coisa nossa''! Uma das top models mais conhecidas mundo afora, a tal Naomi agora deu para frequentar as baladas abaixo da linha do Equador. De vez em quando, até desfila. Foi assim no ano passado, quando marcou presença na passarela da Lenny, no Fashion Rio. Foi assim na terça-feira, desfilando para Rosa Chá, na São Paulo Fashion Wekk (SPFW). E dizem que o cachê foi em biquínis bem brasileiros, do jeito que ela gosta.
Se bem que das duas vezes em que Naomi deslizou pela passarela, preferiu modelos mais discretos. Passou longe das ousadias propostas pelo estilista Amir Slama. Depois dos recortes e vazados nos sutiãs dos biquínis, a grife agora aposta nas calcinhas e sungas, deixando à mostra aquilo que antes ficava só na imaginação. Aliás, a coleção é baseada em histórias do imaginário brasileiro: Saci Pererê, Curipira, Boto, entre outras referências.
Para os mais estrangeiros que Naomi, falou em Brasil, a imagem do Rio de Janeiro é a primeira a passar pela cabeça. Carioca da gema, Maxime Perelmuter, da British Colony, aposta nos pontos turísticos para mostrar seu verão. Está lá estampado o Cristo Redentor de braços abertos para turistas. As ''legendas'' das camisetas aparecem em hebraico, grego, russo e chinês. Para inglês ver e brasileiro usar, a novidade é o vazado nos ombros das camisas ou então, o zíper diagonal na camiseta. Ainda no clima praia tropical, as estampas de Maxime são as mais coloridas e absurdas (no bom sentido).
Das águas cariocas para um balneário perdido no tempo, Marcelo Sommer segue a linha brincadeira séria (a criação é divertida, mas vender também é bom) e coloca até escorregador na passarela. As mulheres são sereias com flores enroscadas nos cabelos, mas nada de vestidos longos e justos. O lance é o conforto, seja no conjunto-pijama dele, seja no roupão que os dois vão para a piscina. O desfile é basicamente cinza, mas a tristeza passou longe. A primeira vez no escorregador assusta, mas depois é só alegria. Vale o mesmo para as roupas de Sommer, que faz até saia-samambaia.
E não é que a garota Triton, sempre muito sexy, também aderiu ao volume das saias? O tule-debutante aparece pra lá e pra cá em momento retrô-havaiano-riviera. O mix surge nas listras, nas estampas (prepare-se para ter sapatinho combinando com o vestido). E no cintão marcando a cintura.
Em dia de tantas estampas e muita água, a Patachou vem totalmente lisa, lisa. Tudo é monocromático e em tons claros no tricô misturado às transparências de Terezinha Santos. As saias são curtas, mas não justas, porque a onda mesmo é ter movimento na roupa. E os brilhos vêm de brinde.
Bem longe do mar, a Ellus avisa que chega no ''avesso'' e aposta nas areias do deserto para a sua cartela de cores. A roupa é rústica e a jaqueta tem mesmo jeito que está vestida do contrário. A bossa é enrolar a calça até ela virar uma bermuda (duas peças em uma). Óculos tipo Ray-ban e turbantes (esses são só pra efeito de desfile mesmo) completam o traje da viajante.
Já Valdemar Iódice nem precisou sair do lugar para buscar inspiração. Ao contrário das colegas grifes, que foram para praias havaianos, desertos, décadas passadas, a Iódice ficou mesmo na própria fábrica e foi na linha de produção de suas roupas que criou o verão. É de lá que vêm os macacões e os vestidos aventais. O colar-tesoura é pra lá de agressivo, mas as pulseiras e colares de botões de metal entram na brincadeira.

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