Tenho visto as palavras próximo/a e seguinte sendo usadas indistintamente quando a pessoa se refere a tempo. Entendo que há uma diferença sutil entre elas e gostaria de saber mais sobre isso. Irene Taitson, Brasília/DF

Há diferença de uso entre os dois adjetivos, sim:

Próximo é usado para indicar aquilo que se segue ou acontecerá numa situação futura; trata-se do seguinte ao atual, de fato posterior ao momento em que se escreve ou fala:

Poderias ficar em silêncio pelo menos nos próximos dois minutos?

Na próxima semana iremos a Brasília cumprimentar o presidente eleito.

O diretor quis ver o novo regimento, pelo qual deve pautar suas próximas ações.

Este número da revista já está fechado - seu artigo sairá no próximo.

E 2008 chega ao fim. O que nos trará o próximo ano?

Seguinte quer dizer subsequente, posterior a outro, ou seja, que vem ou ocorre depois (de um fato anterior que serve de referencial):

Na primeira semana do ano visitamos as cidades históricas, retornando ao Rio na semana seguinte.

Ignorando o plano, a Secretaria assentou, como estava habituada a fazer, suas ações seguintes no quadro de prioridades do seu próprio planejamento.

Guga foi bem no primeiro set mas falhou nos dois seguintes. Assim, não aconteceu a partida seguinte, que seria com um adversário russo. O tenista espera recuperar os pontos perdidos no próximo torneio. [que ainda não aconteceu]

O adjetivo seguinte em geral está relacionado ao tempo passado, mas pode ser usado com verbo no futuro desde que haja essa relação de sequência a um referencial anterior:

Seu próximo ato será a escolha dos assessores; o seguinte será sua nomeação.

Primeiramente vamos revogar a portaria. O passo seguinte será fixar novos juros.

Qual a diferença entre tampouco e tão pouco? Airton Santos, São Paulo/SP
Sobre a expressão nem tampouco, gostaria de saber se é erro a repetição da negativa, ou apenas uma questão de estilo ou ênfase. A.K., de Brasília/DF


Tampouco é um advérbio que significa também não. Sua grafia vem de tam (= tão) pouco, que em Portugal se escreve tão-pouco.

Tão pouco, separado, são duas palavras distintas que querem dizer aproximadamente muito pouco, por exemplo: ''Faz tão pouco tempo que estão casados e já pensam em divórcio. O salário mínimo compra tão pouco!'' [= tão pouca coisa].

Quanto a nem tampouco, que os puristas consideram erro, é em realidade um recurso linguístico de reforço da negação; não só lhe dá mais ênfase como serve de elemento sonoro de ligação (conectivo) entre as orações ou partes da oração, sobretudo na linguagem falada. Assim, é considerado uma alternativa menos formal a tampouco, não havendo necessidade de corrigir os outros quando falam com o acréscimo da negativa. Exemplos:

Não concordamos com a redação do anteprojeto. Tampouco aceitamos as emendas apresentadas.

O deputado não compareceu às sessões, tampouco justificou sua ausência.

Ela não saiu; eu tampouco.

A mãe não conseguiu encontrar a boneca que a filha pedira e tampouco viu nas lojas um brinquedo ideal para o menino.

Não proibimos fumar no jardim nem tampouco andar na grama.

Não quis provar o doce, nem tampouco teve curiosidade a respeito dos ingredientes.

No ''Mundo das Palavras'' 3.264, o gramático e linguista Celso Luft deu este exemplo: ''Não lê, (nem) tampouco escreve'', o que significa que ele considerava facultativo o uso da partícula nem nesse caso.


* MARIA TEREZA DE QUEIROZ PIACENTINI - Diretora do Instituto Euclides da Cunha e autora dos livros 'Só Vírgula', 'Só Palavras Compostas' e 'Língua Brasil - Crase, pronomes & curiosidades' - www.linguabrasil.com.br

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