''Me faz o favor está certo?
Vivemos no Brasil, em 1989, onde é normal se expressar assim:
- Me faz o favor de rebater a carta.
- Me arranja um clipe?
- Nos disseram que o abono sairia.
- Me é difícil julgar, admito.
- Se vê que nada é impossível.''
Mais do que normal, é correto, sim senhor.
Dizer que não se pode iniciar a frase com o pronome átono (me, te, se, nos) me faz lembrar o amigo Bob, que, mal chegado ao Rio, antes de vir se radicar em Florianópolis, foi a um barzinho e repetiu a lição aprendida em Londres: ''Dá-me um copo de cerveja''. O garçom simplesmente não entendeu. ''CER-VE-JA'', repetiu o inglês. Aí foi atendido. Mas sempre que começava a dizer ''dá-me'' não era levado a sério. Só sossegou quando recebeu a explicação: brasileiro não fala assim.
E o que fazem os livros de gramática? Se esquecem de ensinar que existem dois procedimentos: o formal, que não permite o pronome átono no início da frase, e o informal, coloquial, usado em diálogos principalmente, que admite o pronome iniciando a oração.
Se o uso de ''Faz-me o favor, foi-nos dito, é-me'' soa artificial, e por outro lado não se quer ferir a gramática tradicional, pode-se recorrer ao artifício de colocar uma outra palavra ou expressão no início da frase. Por exemplo:
A senhora me faz o favor de rebater?
Por favor me arranja um clipe.
Positivamente nos disseram que o abono sairia.
Admito que me é difícil julgar.
Já se vê que nada é impossível.
''Por tudo isso se conclui que no português brasileiro o emprego do pronome átono é bastante livre - depende muito do ritmo, da harmonia, da ênfase que se quer dar ao sujeito ou ao verbo. Tanto é correto dizer ''Ele me ajudou'' como ''Ele ajudou-me''. A escolha aí é bastante pessoal, subjetiva.

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