É um dos lu­ga­res que ­mais so­fre­ram ou é um dos lu­ga­res que ­mais so­freu com as chu­vas? Cons­tru­ções co­mo es­tas ou­ve-se com fre­quên­cia em jor­nais de TV; on­tem, por exem­plo, a Sra. Pre­fei­ta men­cio­nou a pri­mei­ra.’’ G. G., São Pau­lo/SP
  É uma das ­obras que o lan­çou... Per­gun­to se ­aqui tam­bém po­de ser acei­to o plu­ral? Quan­do ti­ver a ex­pres­são uma das e tam­bém quan­do ti­ver o sen­ti­do de ­obra li­te­rá­ria. É o mes­mo cri­té­rio de um dos que?’’ Pau­lo, Rio de Ja­nei­ro/RJ
  São co­muns na lín­gua por­tu­gue­sa as ­duas cons­tru­ções. A es­co­lha pe­lo ver­bo no plu­ral (que é ti­da co­mo a sin­ta­xe ­mais re­co­men­dá­vel) ou no sin­gu­lar re­si­de pri­mor­dial­men­te na ên­fa­se que se ­quer dar ou ao con­jun­to ou a um só ele­men­to, is­to é, à ­ação fei­ta por um só in­di­ví­duo ou por mui­tos/al­guns, co­mo se ob­ser­va nos exem­plos abai­xo:
■ San­ga do Les­te é um dos lu­ga­res que ­mais so­fre­ram com as chu­vas.
■ Re­co­men­do a lei­tu­ra de ‘‘­Intimidades’’, uma das ­obras que lan­ça­ram Do­rothy.
■ Pi­ta foi um dos (po­lí­ti­cos) que ­mais fa­la­ram na reu­nião.
■ O li­nho é um dos te­ci­dos que es­tão em al­ta nes­ta es­ta­ção.
■ San­ga do Les­te é um dos lu­ga­res que ­mais so­freu com as chu­vas.
■ Re­co­men­do a lei­tu­ra de ‘‘­Intimidades’’, uma das ­obras que a lan­çou.
■ O li­nho é um dos te­ci­dos que es­tá em al­ta nes­ta es­ta­ção.
■ Foi de­sa­ti­va­da uma das maio­res qua­dri­lhas que atua­va em Di­vi­nó­po­lis.
  O lin­guis­ta e gra­má­ti­co Cel­so ­Luft ex­pli­cou o uso do sin­gu­lar co­mo ‘‘uma re­gra ele­men­tar de sin­ta­xe que man­da su­pri­mir ter­mos re­pe­ti­dos (per­sis­tem na men­te, mas po­dam-se na fra­se)’’. Is­so sig­ni­fi­ca que, por exem­plo, em vez de di­zer ‘‘o li­nho é um te­ci­do que es­tá em al­ta en­tre os te­ci­dos que es­tão em al­ta nes­ta ­estação’’, di­ze­mos sim­ples­men­te ‘‘o li­nho é um dos te­ci­dos que es­tá em al­ta nes­ta ­estação’’.
  Há, con­tu­do, uns pou­cos gra­má­ti­cos e pro­fes­so­res que re­cei­tam o uso do plu­ral ape­nas, des­qua­li­fi­can­do uma prá­ti­ca se­cu­lar de em­pre­go do ver­bo no sin­gu­lar, tal co­mo de­fen­de Rui Bar­bo­sa, en­tre ou­tros es­tu­dio­sos da lín­gua. O sin­gu­lar, diz Rui, é vá­li­do por­que ex­pri­me ‘‘o fe­nô­me­no da atra­ção do ver­bo de uma sen­ten­ça pe­lo su­jei­to da ­outra’’ (Ré­pli­ca, no­ta 192). E ele apre­sen­ta inú­me­ros exem­plos clás­si­cos, dos ­quais ex­traio ­três:
■ Ele foi um dos que mui­to con­tra­dis­se a el-rei. (­Fern. Lo­pes)
■ Uma das cou­sas que der­ru­bou a Gal­ba do im­pé­rio foi tar­dar... (M. Ber­nar­des)
■ Na ­Ásia foi um dos go­ver­na­do­res que ­mais im­pul­sio­nou a que­da do im­pé­rio ín­di­co. (Ca­mi­lo Cas­te­lo Bran­co)
Apon­ta ain­da Rui Bar­bo­sa que em qua­se to­dos os tre­chos trans­cri­tos por ele ‘‘a ­ação é exer­ci­da por mui­tas en­ti­da­des, e, não obs­tan­te, o ver­bo es­tá no ­singular’’. E ­Said Ali fez ver que es­se fe­nô­me­no se ob­ser­va em gre­go, la­tim, fran­cês, es­pa­nhol, in­glês e ale­mão. Cel­so ­Luft apro­vei­tou a dei­xa pa­ra iro­ni­zar: ‘‘Os clás­si­cos e to­das es­sas lín­guas de­ve­riam ter es­pe­ra­do pe­los ­dois fi­ló­lo­gos* por­tu­gue­ses pa­ra acer­ta­rem a sin­ta­xe?’’ (*re­fe­ria-se a Epi­fâ­nio ­Dias e Vas­co do Ama­ral, que só ad­mi­tiam o plu­ral) Co­mo em por­tu­guês o ca­so não é no­vi­da­de nem iló­gi­co, acei­te­mos as ­duas ma­nei­ras de ex­pres­são!

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