Gos­ta­ria de sa­ber em que ca­sos uti­li­zo o ­MEIA e em que ca­sos uti­li­zo o ­MEIO. Fer­nan­da Tra­ja­no, Flo­ria­nó­po­lis/SC
  Gos­ta­ria de sa­ber se es­tá cor­re­to o uso do hí­fen no ter­mo ‘‘­meio-­período’’. C. D., São Pau­lo/SP
■ ­Meio ad­je­ti­vo
  A pa­la­vra ­meio (= me­ta­de) va­ria no fe­mi­ni­no e plu­ral quan­do pre­ce­de um subs­tan­ti­vo:
- Cem mil to­ne­la­das de car­ne re­pre­sen­tam o con­su­mo na­cio­nal de ­meio mês.
- Ga­nhou ­meia gle­ba de ter­ra.
- Por fa­vor, dei­xe de ­meias pa­la­vras.
  Em ­tais ca­sos, faz-se a con­cor­dân­cia em gê­ne­ro e nú­me­ro mes­mo que o subs­tan­ti­vo es­te­ja su­ben­ten­di­do, co­mo se ve­ri­fi­ca em ‘‘­meia ­hora’’:
- À ­meia-noi­te e ­meia (ho­ra) apa­ga­vam-se as lu­zes do po­voa­do.
- O al­mo­ço de­ve ser ser­vi­do ao ­meio-dia e ­meia.
■ ­Meio ad­vér­bio

  Com o sig­ni­fi­ca­do de ‘‘um tan­to, um pou­co, ­quase’’, acom­pa­nha um ad­je­ti­vo e fi­ca in­va­riá­vel:
- As por­tas fi­ca­ram ­meio aber­tas. Ela es­tá ­meio ton­ta. São ­meio to­los.
■ ­Meio em subs­tan­ti­vo com­pos­to
  A for­ma­ção com­pos­ta le­va hí­fen; e sen­do um ad­je­ti­vo, ­meio fle­xio­na con­for­me o subs­tan­ti­vo:
- A ­maior par­te da sua pin­tu­ra é fei­ta em ­meios-­tons.
  Ou­tros exem­plos: à ­meia-luz, de ­meia-ti­ge­la, rou­pa de ­meia-es­ta­ção, é um ­meio-ter­mo, pes­soa de ­meia-ida­de, nes­se ­meio-tem­po, os ­meios-­fios, são ­meios-ir­mãos, vi­ve de ­meias-so­las.
  Só se con­fi­gu­ra um subs­tan­ti­vo com­pos­to quan­do os ­dois ele­men­tos real­men­te for­mam um con­jun­to in­dis­so­ciá­vel, o que não me pa­re­ce ser o ca­so de ‘‘­meia ­entrada’’, que no en­tan­to se en­con­tra hi­fe­ni­za­da no ­VOLP 2009 (com­prar/pa­gar ­meia-en­tra­da). Já em ‘‘­meio ­período’’ não se cons­ta­ta o hí­fen - ­aqui ‘‘­meio’’ é um ad­je­ti­vo usa­do no seu sen­ti­do li­te­ral (a me­ta­de) e in­de­pen­den­te:
- Só te­nho dis­po­ni­bi­li­da­de pa­ra tra­ba­lhar ­meio pe­río­do, e não o pe­río­do in­te­gral.
  Em odon­to­lo­gia em­pre­ga-se, pa­ra de­sig­nar uma oclu­são (mor­di­da) anor­mal, ou se­ja, que não é boa, os se­guin­tes ter­mos: má-oclu­são, má oclu­são, ma­lo­clu­são. ­Qual se­ria o cor­re­to? J. W., Cu­ri­ti­ba/PR
  ­Qual o cor­re­to: má-oclu­são, ma­lo­clu­são ou mal oclu­são? Não exis­te con­sen­so en­tre os es­cri­to­res so­bre Or­to­don­tia. ­João M. Bap­tis­ta, Cu­ri­ti­ba/PR
  A dú­vi­da era ge­ra­da pe­la au­sên­cia do vo­cá­bu­lo nos di­cio­ná­rios. Cos­tu­ma­va-se to­mar por ba­se os vo­cá­bu­los má-for­ma­ção e mal­for­ma­ção, cu­ja pri­mei­ra for­ma era con­si­de­ra­da ­mais ade­qua­da, vis­to se cons­ti­tuir de ad­je­ti­vo e subs­tan­ti­vo fe­mi­ni­nos. En­tre­tan­to, por in­fluên­cia es­tran­gei­ra se dis­se­mi­nou a gra­fia com ‘‘­mal’’ nu­ma só pa­la­vra, co­mo em mal­nu­tri­ção (em in­glês: mal­nu­tri­tion). Por­tan­to ha­ve­ria ­duas gra­fias cor­re­tas: má-oclu­são, plu­ral más-oclu­sões, e ma­lo­clu­são, pl. ma­lo­clu­sões. Ape­sar de o ­VOLP 2009 (Vo­ca­bu­lá­rio Or­to­grá­fi­co da Lín­gua Por­tu­gue­sa, 5ªed.) ter se es­que­ci­do exa­ta­men­te de má-oclu­são, con­ti­nuam va­len­do as ­duas for­mas.

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