NÃO TROPECE NA LÍNGUA
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Maria Tereza de Queiroz Piacentini (*)<br> Especial para Folha2 
Por favor, explique-me como é o certo: O que farei de minha vida ou Que farei de minha vida? Maria Helena Cunha, Fortaleza/CE
As duas formas são usadas no Brasil. Em princípio, basta o que para introduzir esse tipo de oração interrogativa, pois o ''o'' nesse caso não tem nenhuma função sintática: Que farei de minha vida? Que queres? Que devemos fazer?
Já quando se inverte a ordem da pergunta, o interrogativo se faz acompanhar sempre do artigo ''o'' por uma questão de eufonia: Queres o quê? Farei o que agora? Vamos dizer o que ao diretor?
Foi assim que se tornou usual (e igualmente correto) o emprego de ''o que'' também no início da oração, objetivando dar maior ênfase à pergunta: O que farei de minha vida? O que queres? O que devemos fazer com o lixo? Tanto uma quanto outra forma pode ser reforçada por ''é que'', de uso mais coloquial: O que é que farei da minha vida? Que é que queres?
A propósito, Eliana Abdallah, de São Paulo/SP, pergunta: ''Na frase O quê que eu fiz? O que tem acento mesmo? Eu não poria. Porém, tenho visto algumas pessoas grafarem desta forma''.
A impropriedade da frase, além do acento errado, é a falta do ''é'' que faz parte da expressão de reforço ''é que'' O que é que eu fiz?
Para o que ser acentuado no meio da frase só se for substantivado, quando fica tônico; por exemplo: ''Ela tem um quê da avó materna''.
Deve-se acentuar o que quando ele termina a frase: Queres o quê? Queria pagar mas não tinha com quê. Obrigado! Não há de quê.
Gostaria de saber qual é a frase correta: O cliente somos nós ou O cliente é nós? Sérgio Ricardo de Paiva Costa, São Paulo/SP
Se você inverter a ordem, dirá: Nós somos o cliente. O sujeito é o pronome ''nós'', portanto. A regra então é: nas frases com o verbo ser que tenham um pronome pessoal, a concordância verbal se faz com o pronome: O cliente somos nós. O fiador és tu, mas a responsável foi ela, sem dúvida. Os melhores são eles. Hoje quem paga sou eu.
* Maria Tereza de Queiroz Piacentini é diretora do Instituto Euclides da Cunha e autora dos livros ''Só Vírgula'', ''Só Palavras Compostas'' e ''Língua Brasil - Crase, pronomes & curiosidades'' - www.linguabrasil.com.br.


