NÃO TROPECE NA LÍNGUA
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de outubro de 2007
Maria Tereza de Queiroz Piacentini (*)<br> Especial para a Folha2 
''Deve-se usar o ponto antes ou depois de fechar as aspas? Se acaso eu colocar uma nota de rodapé, como ficaria?'' - Vinicius Pedrosa, Balneário Camboriú/SC.
Existem os dois casos: aspas e ponto / ponto e aspas. As instruções oficiais rezam que se coloca o sinal de pontuação depois das aspas quando estas ''encerram apenas uma parte da proposição'', mas que o ponto vem antes das aspas quando elas ''abrangem todo o período, sentença, frase ou expressão'', ou seja, quando a citação é integral. Trocando em miúdos:
Caso 1 - As aspas vêm antes do ponto quando a citação é a continuação da frase que você está escrevendo, pois o ponto fecha o período, e não apenas a citação. Exemplos:
- Já antecipava McLuhan na década de 60 que ''a mudança se tornou a única constante de nossas vidas''.
- Já antecipava McLuhan na década de 60: ''A mudança se tornou a única constante de nossas vidas''.
- Enquanto não houver ''uma nova, forte e legítima razão de interesse comum'', finaliza o relator, os condôminos continuarão a utilizar tais áreas, em conformidade com o ''princípio ético de respeito às relações definidas por décadas de convívio''.
Caso 2 - As aspas vêm depois do ponto quando a citação é feita por inteiro e isoladamente:
- ''Saber é poder.''
- ''Informação não é o mesmo que conhecimento.''
Neste ponto há divergência na interpretação da norma oficial. O Manual de Redação Atlas (1994:69) dá como exemplo: Disse Camões: ''Quem ama o feio, bonito lhe parece.'' Ao que o Grande Manual de Ortografia Globo (1983:110) exemplifica: Carlyle escreveu: ''Feliz daquele que encontrou a sua tarefa! Que ele não peça nenhuma outra bênção. O trabalho é a vida''.
Valem as mesmas orientações para notas de rodapé. Mais um detalhe: as aspas fecham a citação, mas quando se acrescentam dados entre parênteses o ponto vai no final de tudo e não da citação:
- ''Eles compõem o cérebro da rede e localizam-se em todos os seus entroncamentos'' (Pessini, 1986, p.14).
Maiores, também!
Alguns bons leitores escreveram há uns meses (em 2001) para contestar ou questionar o emprego que fizemos da expressão ''maiores informações'', pois leram alhures que é errado falar assim. Todos se expressaram nestes termos: ''Seria correto dizer maiores informações? (...) pois a palavra 'maiores' tem o sentido de tamanho. / O correto é 'mais informações' porque o antônimo de maiores (menores informações) não faz sentido... / Se eu escrever para o Instituto Euclides da Cunha vou ter 'maiores informações', como está na página principal?''
Como à época manteve-se ''maiores informações'', transcrevo a resposta então publicada no Mural de Consultas do Língua Brasil:
Olha, minha gente, chega de camisa-de-força: maior é o superlativo sintético de grande, certo? E grande significa ''de tamanho, volume, intensidade, valor, etc. acima do normal'' (não só tamanho, portanto!), ou ''longo, comprido, alongado, dilatado, amplo, notável, respeitável'', entre outros sentidos. Se é possível dizer ''Vou lhe prestar uma grande informação / uma longa informação mais adiante / informações mais amplas ou detalhadas'' - assim como se diz ''vou dar uma longa explicação/instrução'' -, então se pode fazer uso do adjetivo superlativo na mesma situação. Não bastasse isso, confirma o Dicionário Aurélio que maior significa ''que excede outro em tamanho, espaço, intensidade, duração, grandeza, número, importância, etc.'' Vejam aí: oferecemos um maior número de informações, pelo menos!
Certamente o uso de ''mais informações'' é também correto e mais econômico, prevalecendo agora (em 2007) sobre ''maiores''. O que não me agrada é a discriminação por ''erro'', pois neste caso não se trata disso.
* Maria Tereza de Queiroz Piacentini é diretora do Instituto Euclides da Cunha e autora dos livros ''Só Vírgula'', ''Só Palavras Compostas'' e ''Língua Brasil - Crase, pronomes & curiosidades'' - www.linguabrasil.com.br.


