- Hoje de manhã (o) meu carro custou a pegar.
É indiferente o emprego do artigo antes de possessivos acompanhados de substantivos.

- Aquele carro que acharam é (o) meu.
Em função substantiva (isto é, no lugar do substantivo), o possessivo tem um sentido quando acompanhado de artigo (o meu carro = o único que possuo), e outro sentido sem o artigo (''é meu'' denota uma simples idéia de posse).

- Quem não tem suas dificuldades?
Dispensa o artigo o pronome possessivo usado em expressões com o valor de ''alguns''.

- Vem cá, meu amor.
Quando o possessivo faz parte de um vocativo, não admite o artigo.

- Dou em meu poder seu ofício de 15 de setembro.
O artigo é omitido com o possessivo em certas expressões feitas: em nosso poder, a seu bel-prazer, por minha vontade, a seu turno, a meu modo, em meu nome, a seu pedido.

- Sal, pimenta e açúcar devem ser usados em quantidades moderadas.
Omite-se o artigo antes de palavras de sentido geral, indeterminado.

- Você tem razão em não dar confiança ao rapaz, pois ele só disse mentiras.
Não se usa o artigo antes de substantivos abstratos, em expressões que não contêm nenhuma determinação.

- Apresentou-se na festa com o marido e o irmão.
Normalmente se repete o artigo para evitar ambiguidade, pois sem ele os dois substantivos podem designar o mesmo ser. Não seria o caso acima, porque irmãos não se casam, mas fica diferente agora: Admiro o meu irmão e amigo (uma só pessoa). Admiro o meu irmão e o meu amigo (duas pessoas).

- Já não se estuda Latim nas escolas.
Dispensam o artigo as matérias de estudo empregadas com os verbos ensinar, aprender, estudar e equivalentes.




Regência do
verbo pedir



- A professora pediu silêncio aos alunos.

- Ela pediu que fizéssemos silêncio.

- A professora pediu à diretora para se ausentar mais cedo.

Numa frase como ''a professora pediu para que fizéssemos silêncio'', de acordo com a gramática normativa, a preposição ''para'' não se justifica; ela só deve ser usada com o verbo pedir quando está implícita a palavra permissão ou licença. Portanto, ''ela não gostou quando lhe pedi para sair da sala'' significa ''quando lhe pedi (permissão) para (eu) sair''. Se fosse para a professora sair, a frase seria diferente: ''quando lhe pedi que (ela) saísse da sala''.

- Pedi para o chefe assinar os papéis. (informal)

- Pedi que o chefe assinasse os papéis. (formal)

Embora na linguagem coloquial se use a construção ''Ela pediu para eu sair'', a forma gramatical requer o uso do subjuntivo: ''Ela pediu que eu saísse''.

* Maria Tereza de Queiroz Piacentini é diretora do Instituto Euclides da Cunha e autora dos livros ''Só Vírgula'', ''Só Palavras Compostas'' e ''Língua Brasil - Crase, pronomes & curiosidades'' - www.linguabrasil.com.br

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