Uma regrinha que vale a pena lembrar: a palavra ‘‘rio’’, quando se refere a um curso d’água, deve ser grafada com inicial minúscula, mesmo quando junto de um nome próprio. Apenas o nome em si do rio terá inicial maiúscula:
Os limites físico-geográficos entre os municípios de Florianópolis e São José foram estabelecidos pela Lei 247/48, considerando o limite do rio Araújo.
  Deixemos a maiúscula para descrever uma localidade, uma cidade, um território qualquer. É esse detalhe que permite distinguir uma coisa da outra. As mesmas frases trazem diferente informação a partir da mudança de minúscula para maiúscula:
q Passou pelo rio Grande. (curso d’água)
q Passou pelo Rio Grande. (cidade ou Estado)
q Adorei o rio. (curso d’água)
q Adorei o Rio. (cidade)]
q Chuvas transformam o rio Vermelho em lamaçal. (curso d’água)
q Chuvas transformam o Rio Vermelho em lamaçal. (localidade na ilha de SC)


Rerratificação

Orlandina Vieira, de Florianópolis/SC, solicita explicação sobre a palavra rerratificação, que ela tem visto em documentos antigos escrita também de outras formas: re-ratificação e re/ratificação.
  Esse termo normalmente é aplicado a convênios em que se deseja retificar alguma cláusula, ratificando o restante do documento. Portanto o ‘‘re’’ inicial é uma redução de retificar e não o prefixo ‘‘re’’ (repetição, movimento para trás], como dá a entender a grafia rerratificação. A princípio – ou para quem não é do ramo – parece que se vai fazer uma nova ratificação, o que seria uma redundância, já que ratificar quer dizer ‘‘reafirmar, confirmar, corroborar’’.
  Pela lógica, então, seria correto escrever re/ratificação ou mesmo re-ratificação, como muito se fez enquanto não havia registro formal. No entanto, agora que está dicionarizada com os dois erres (como se fosse composição do prefixo ‘‘re’’), é difícil mudar essa grafia. Mais fácil – e mais racional – seria denominar esse tipo de documento simplesmente de Termo de Retificação de Convênio (pois a ratificação é uma conseqüência óbvia).



De/em férias e regência de proceder

‘‘É melhor dizer ele está de férias ou ele está em férias? Proceder à apuração ou a apuração? F. S., Campo Grande/MS
1) Pode-se dizer das duas maneiras:
q Ele está em férias. Vou entrar em férias.
q Ele está de férias. Vou entrar de férias.
  Mas basta você acrescentar um adjetivo às férias para que se reduzam as opções – aí só se deve usar a preposição ‘‘em’’:
q Os trabalhadores das indústrias têxteis entrarão em férias coletivas amanhã.
q Sairemos em férias regulamentares... e merecidas!
2) Conforme a norma-padrão, na acepção de ‘‘realizar, executar, levar a efeito’’ o verbo proceder é transitivo indireto, o que significa que ele sempre se liga ao seu complemento através de uma preposição – ‘‘a’’, no caso: quem realiza algo procede a alguma coisa. Assim, com objeto indireto no masculino, temos a seguinte construção de frase:
q Vão proceder a um rigoroso inquérito sobre os bingos no país.
q O Ministério vai proceder ao levantamento de todos os gastos na área.
  Na versão feminina fica:
q O juiz deve proceder a uma nova convocação dos depoentes.
n A junta procedeu à apuração dos votos.

(*) Maria Tereza de Queiroz Piacentini é diretora do Instituto Euclides da Cunha e autora dos livros ‘‘Só Vírgula’’, ‘‘Só Palavras Compostas’’ e ‘‘Língua Brasil - Crase, pronomes & curiosidades’’ - www.linguabrasil.com.br

mockup