Salustiano, leitor carioca, quer saber se não cabe também o verbo no plural nas frases abaixo, que foram objeto da coluna ''Falando de números e numerais'' publicada há seis semanas. Dizia eu então:
''Há uma concordância especial para o verbo SER quando o sujeito indica preço, peso, porção, quantidade, medida. Neste caso o verbo passa a concordar com as expressões muito, pouco, o suficiente, o mínimo, demais etc., permanecendo então na terceira pessoa do singular:

- Sete anos de noivado foi muito.
- Dez metros de fita é pouquíssimo.
- Cem reais é o suficiente.
- Seis é o mínimo desejável.
- Um é pouco, dois é bom, três é demais.''
Mas existe, sim, uma concordância no plural quando o substantivo, núcleo do sujeito, está determinado por um artigo. Veja a diferença:

- Os sete anos de noivado de Abel e Marta foram demais, foram um absurdo.
- Os dez metros de fita que comprei foram insuficientes.
- Os cem reais que me deste foram suficientes.
- Os seis elementos são desejáveis.
''O que me levou a este contato foi uma dúvida que surgiu após ser impressa a última edição do jornal A Gazeta. A manchete principal saiu assim: Quem poderão ser os candidatos locais nas eleições de 2002? Gostaria de saber se está correto este título e por quê''. Fernando.

A manchete está correta, embora chegue a soar estranha, pois não é muito comum a utilização do verbo ser com um verbo auxiliar, numa locução verbal, junto do pronome interrogativo quem. Normalmente este pronome leva o verbo para o singular:

- Quem sabe quem foi o autor da manchete?
- Quem fez isso? Quem será?

Mas, em orações com o verbo ser, ''quem'' pode servir de predicativo a um sujeito no plural. Isso quer dizer que o verbo ''ser'' vai fazer a concordância com o sujeito que estiver no plural:

- Quem são eles? Quem somos nós?
- Quem serão os candidatos?
- Quem foram os malucos que atacaram o presidente?
- ''Sabem, acaso, os vultos, quem vão sendo?'' (Cecília Meireles)

Concordância no feminino
''Queira esclarecer: a gerente/a auxiliar administrativo ou a gerente/a auxiliar administrativa''. Luiz Gonzaga Soares, Rio de Janeiro/RJ

Trata-se agora da flexão do adjetivo que acompanha os substantivos comuns de dois gêneros. ''Administrativo'' é um adjetivo, variável em gênero e número. Consequentemente, deve concordar com o substantivo feminino que se refere a uma mulher: a gerente administrativa, a auxiliar administrativa. Dizer ''a gerente administrativo'' seria tão anômalo quanto ''a juíza adjunto'' ou ''a diretora-secretário''. Outros bons exemplos de cargos femininos:

- a secretária executiva
- a secretária adjunta
- a presidente adjunta
- a chefe auxiliar
- a assessora especial
- a consultora geral
- a juíza substituta
- a gerente financeira
- a auxiliar técnica
- a técnica administrativa
- a diretora-secretária
- a diretora-presidente
- a ministra-chefe.

Maria Tereza de Queiroz Piacentini, autora dos livros ''Só Vírgula'' e ''Só Palavras Compostas'', é diretora do Instituto Euclides da Cunha - www.linguabrasil.com.br

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