NÃO TROPECE NA LÍNGUA - O senhor e outros modos de tratamento
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 15 de março de 2005
Maria Tereza de Queiroz Piacentini* 
Quando devo usar Vossa Excelência e V.Exa? Jeniffer, Goiânia/GO
O uso das fórmulas de tratamento abreviadas ou por extenso é mais uma questão de estética do que de formalidade, respeito, algo assim. Só há mesmo exigência em relação a Presidente da República e Governador de Estado, casos em que se deve escrever Vossa Excelência por extenso. Nas demais situações, cabe a você escolher, ver a forma mais conveniente.
V.S. está convocada ou convocado? Alexandra Pontes, Salvador/ BA.
Gostaria de saber se ao utilizar o pronome de tratamento V.Sa. e o destinatário for do sexo masculino, deverei usar o verbo no masculino. Ex. V.Sa. está autorizado(a)... Valéria Marinho, Rio de Janeiro/RJ
O emprego de ''V. Sa./ V. Exa. está convocado/autorizado'' ou ''convocada/autorizada'', depende do sexo da pessoa a quem nos dirigimos:
Se a um homem, usamos adjetivos e particípios no masculino:
- Vossa Senhoria foi convocado para depor.
- Não sei se V. Sa. será chamado à mesa, professor.
- Senhor Promotor, V. Exa. parece insatisfeito com a questão.
Se a uma mulher, usamos adjetivos e particípios no feminino:
- Vossa Senhoria foi autorizada a depor.
- Não sei se V. Sa. será chamada à mesa, professora.
- Senhora Juíza, V. Exa. parece satisfeita com a decisão.
O uso da seguinte expressão soa estranho, mas é muito comum: Doutor, qual o número do telefone ''do senhor''? Não seria ''seu''? Por quê? Adalberto A. de Matos, Barra das Garças/MT
Ambos os modos de se manifestar estão corretos, pois a ''posse'' pode ser expressa tanto pela preposição ''de'' quanto pelos pronomes possessivos. Como o pronome ''seu/sua'' pode gerar ambiguidade, uma vez que ele se refere igualmente a você(s), ele(s)/ela(s), senhor/senhora'', muitas vezes (principalmente na televisão e ao telefone) as pessoas preferem usar ''dele, dela, do senhor, da senhora'' por questão de clareza.
No caso em apreço, por não haver ambiguidade, seria mais enxuto perguntar ''Qual o número do seu telefone?'', sem dúvida. Mas o outro tipo de pergunta também é válido.
Gostaria de saber se uma pessoa investida em um cargo de direção, como por exemplo Presidente de uma Comissão de Licitação, quando digitar algum ofício ou memorando tem que dirigir à outra pessoa na 1 pessoa do plural, ex: enviamos, comunicamos, etc. Não seria mais elegante e moderno na 1 pessoa (comunico, envio, etc). Patrícia Amorim Santiago, Belo Horizonte/MG
Não é realmente necessário o uso da primeira pessoa do plural nesses casos, a não ser que a pessoa fale por si e pela instituição ao mesmo tempo, ou seja, quando se trate do conjunto.
O moderno (e não tão moderno assim, pois há 30 anos eu já via autoridades escrevendo ''cumprimento... envio... comunico'') é realmente usar a 1 pessoa do singular, sobretudo no início e no fim de uma correspondência, situações em que está bem determinado quem é o falante, ou quem está assumindo a assertiva ou opinião. Não há problema se lá pelas tantas for usado o pronome ''nós'' ou o verbo respectivo, desde que isso indique uma referência plural, por exemplo à empresa ou à instituição como um todo. Essa mescla dos pronomes pessoais EU - NÓS é comum não só em correspondência mas em discursos de autoridades, conforme tenho documentado.
- Diretora do Instituto Euclides da Cunha e autora dos livros ''Só Vírgula'', ''Só Palavras Compostas'' e ''Língua Brasil - Crase, pronomes & curiosidades'' - www.linguabrasil.com.br


