A palavra imunorreação está corretamente escrita? Ou seria imuno-reação ou ainda imunoreação? Perpétua, Manaus/AM

Os pacientes submetidos a tratamento com corticosteróides apresentam-se sensíveis ou resistentes, isto é, respondem ou não respondem ao tratamento. No dia-a-dia, costuma-se dizer que tal paciente é córtico sensível ou córtico resistente. Dúvida: na forma escrita usa-se hífen? José Carlos Guitti, Londrina/PR

A minha dúvida é sobre termos usados pela Medicina, no caso: a palavra ''velofaríngeo''. Pesquisei em dicionários e na internet. Encontrei só no dicionário Michaelis o verbete ''velo-palatino.'' Porém, na internet encontrei várias formas: velo-faríngeo, velofaríngeo e velo faríngeo. Velo vem de véu, e faríngeo é adjetivo relativo à faringe. Nessas palavras compostas em que os elementos mantêm a independência fonética mas formando um conjunto de perfeita unidade de sentido e mantendo cada um sua própria acentuação, o correto é usar hifenização? Ângelo Gabriel Roesner, São Paulo/SP

As três perguntas podem ser tratadas em conjunto porque a mesma orientação vale para todas elas: a absoluta maioria dos nomes compostos da área médica é formada aglutinadamente, sem o hífen. O problema é que poucos desses nomes constam nos dicionários comuns. Vejamos então alguns exemplos:

- imunodepressor
- velofaríngeo (o tal ''velo-palatino'' seria o ''véu palatino'', hoje chamado de ''palato mole'')
- corticoestriado
- craniofaciais
- gastroconjuntivite, gastroenterologista, gastrointestinal
- maxilopalatal
- nefroparalisia
- neurovirose
- otorrinolaringologia
- palatofaríngeo, palatolabial
- vetocardiograma
- cardiotocografia, cardiotônico, cardiotóxico
- temporomandibular
- lipoaspiração, lipoescultura
- abdominoplastia
- braquiplastia (plástica dos braços)
- rinoplástica, rinofaríngeo
- videoendoscopia.

Devo aduzir que o PVOLP - sistema ortográfico estabelecido pela Academia Brasileira de Letras em 1943, aprovado por lei e ainda vigente no Brasil - não foi muito coerente ao registrar labiodental (labial+dental), linguodental, cardiovascular, gastroenterologia, etc., uma vez que determina que o hífen deve ser usado quando o primeiro elemento da composição vocabular é uma forma reduzida, caso por exemplo de bel-prazer, grão-duque, afro-brasileiro, infanto-juvenil, ântero-posterior, ântero-lateral.
De qualquer modo, essa formação sem hífen facilita a vida, torna mais prático o uso desses compostos, desde que nos lembremos, naturalmente, de dobrar o S ou R quando o segundo elemento começa com uma dessas consoantes. Exemplos:

- imunorreação, imunorreagente
- corticossensível, corticorresistente, corticossupra-renal
- cardiorrespiratório, cardiorreconstituição
- neurossecretor, neurossensório.

Os nomes compostos da área médica que podem levar hífen são aqueles formados com os prefixos Infra, Supra e Ultra, os quais têm regras próprias de composição. Neste caso se enquadram palavras como infra-axilar, infra-hepático, infra-som, supra-axilar, supra-renal, ultra-som, ultra-sonografia, ultra-sonoterapia.

Maria Tereza de Queiroz Piacentini é diretora do Instituto Euclides da Cunha e autora dos livros ''Só Vírgula'', ''Só Palavras Compostas'' e ''Língua Brasil: Crase, pronomes & curiosidades'' - www.linguabrasil.com.br

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