Nelson Sato
De Londrina
Há uma frase feita que diz que o artista brasileiro tem que estourar no exterior para fazer sucesso no Brasil. O prestígio que o senhor conquistou nos Estados Unidos ao longo desta década já repercutiu por aqui?
A repercussão acontece na forma de homenagens e no surgimento de novos discípulos, admiradores e fãs. Mas continuo à espera de um reconhecimento oficial em termos de ajuda financeira para levar adiante meus projetos em melhores condições de trabalho.
Por que o senhor decidiu abandonar o personagem Zé do Caixão?
Eu não tenho mais a mesma agilidade para encarnar o personagem. É claro que é possível usar dublês para fazer algumas cenas, mas não dá para dispor de dublês para isso e para aquilo. Por isso decidi procurar um sucessor. O nome será revelado no próximo sábado durante o Programa do Ratinho. A Mulher Superior também já foi escolhida. Eles me acompanharão durante seis meses em palestras, performances e shows. Só depois, quando eles estiverem realmente preparados, é que entrarão em cena sem a minha presença. Vou deixar o Zé do Caixão, mas vou continuar dirigindo e roteirizando podendo até criar um novo personagem para o ano 2000.
Há outros projetos engatilhados para a próxima temporada?
Pretendo concluir a trilogia de longas iniciada com ‘‘À Meia-Noite Levarei Sua Alma’’ e continuada com ‘‘Esta Noite Encarnarei Seu Cadáver’’. Planejo rodar também o filme ‘‘Egito – O Segredo da Origem’’, no qual penso em passar mensagens ecológicas para o ano 2000 juntando o Rio Nilo e o Rio Amazonas.
Por que o senhor escolheu o ‘‘À Meia-Noite Levarei Sua Alma’’ para mostrar ao público londrinense?
Porque é o primeiro filme de terror que fiz profissionalmente. Antes dessa produção, que é de 63, já tinha rodado filmes amadores. Outra razão é que ele gerou polêmica durante vários anos.

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